Por Norton Lima Jr.* — A imunidade parlamentar não é regra universal. Nos Estados Unidos — onde a República se fez Nação — a regra é clara, não precisa da canetada dos atravessadores da hermenêutica. Está na Cláusula de Privilégio de Fala e Debate (Speech or Debate Clause) — por discurso ou debate, os parlamentares americanos não serão questionados em nenhum outro lugar, afora o Congresso.
Nos Estados Unidos, terra de bravas e fortes palavras, terra do poeta Emerson e do orador Frederick Douglass, valem apenas os atos; só atos são julgados — palavras são toleradas e intencionalidades não são julgadas, porque o Estado pode até ser pan-óptico, mas nunca paranoico.
Tivesse alçado vôo e não rastejado, compreendido a esfera da Justiça como Tikkun e não como chicote, o ministro Alexandre de Moraes estaria longe do vexame de ser conduzido, como um farrapo humano, sob vara das sanções Magnitsky, pelo crime de violar os direitos humanos universais, comparado à um ditador da Gâmbia.
Não celebro ruínas. Mas brindo quando algo de ruim passa, natural de quem tem sangue e empatias. Gostemos ou desgostemos, Xandão era um quadro dessa República ainda em formação. Foi infelizmente desviado. Por desorientação trocou o Sentido de Estado pelo jogo do “poder pelo poder” do nosso establishment sem mainstream.

Essa longa e lenta redemocratização só gerou lixo mental. Não há como julgar as intenções do Xandão, mas suas palavras, atos e atitudes vaticinam uma exagerada e delirante confiança na sua rede de proteção. Bem, chicotes preferem costas largas. Por certo, estamos diante do “ritual do rei” ou do mais brutal verso de Augusto dos Anjos, “vés… o beijo, amigo, é a véspera do escarro, e a mão que afaga é a mesma que apedreja.”
Não há ambiente para a ilusão das frentes amplas. Xandão agrega, mas não une; Tarifaço agrega, mas não une; China agrega, mas não une; Bolsonaro agrega, mas não une. A sensação é que estamos à beira de um tsunami. A paisagem é de um grande vale formado por imensos recuos. Tarcísio recuou, Lula recuou e do dogmatismo do PT todos recuam — partido intolerante, dogmático, que ainda fala em Cuba, socialismo, em regulamentação de liberdades individuais, em combater a desigualdade através de medidas fragmentadas e sem isonomia.
Está triste essa festa. Ninguém chamou a Holística. Apenas bebe-se sem nada para comemorar.
- O momento continua delicado e desafiador nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A escalada sugere um amontoado de sanções por causa da falta do devido diálogo efetivo. Lula (com suas roupas de seda) travou no dogmatismo. Se agora (“só o começo”) o Sasá Mutema chora, imagine no final da novela.
- Washington aprovou a venda de munições e equipamentos militares para a Ucrânia, U$ 200 milhões de dólares. Consciente, o Kremlin já recuou diante da imposição de sanções secundárias contra países que compram petróleo e derivados da Rússia, incluindo o Brasil. A grande mãe Russia recua, mas Lula avança como um pugilista esperto que usa ignorantes para socar a ponta da faca.
- Haddad chamou o PIX de moeda. Ou é idiota ou bebe soda cáustica? A imperícia é a estupidez podem prejudicar os bancos brasileiros e as finanças nacionais. Todas as reservas brasileiras estão fora do Brasil. Imagine uma sanção envolvendo o SWIFT. Seria devastador. O Brasil ficaria sem suporte à transações globais, sem comércio exterior.
- O desenvolvimento do PIX foi baseado no UPI (Unified Payments Interface) da Índia. O PIX é de 2019, o UPI de 2016.
- O governo Lula cada vez mais lembra o governo Figueiredo. Lula fecha o ciclo da redemocratização como Figueiredo fechou o ciclo militar.
- Faltaram objetivos republicanos à redemocratização — batizada de “Nova República” pelo Mauro Salles. Tudo virou uma longa transição inacabada. Estão abertos os portões para um novo Estado novo.
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*Norton Lima Jr. é jornalista formado pela Universidade Federal do Ceará (UFCE)












