Por Luiz Roberto Marinho – Relatório sobre as condições de atuação da Polícia Civil nos shows do projeto Pernambuco Meu País em Itamaracá, no Litoral Norte, no último fim de semana, entre a noite de sexta-feira (30) e a madrugada do dia 1º (domingo), denuncia “completa falta de estrutura e descaso com o trabalho de quem zela pela lei e pela ordem”.
No documento, obtido com exclusividade pelo nosso blog e assinado pela delegada Sara Souza Lodi, o relatório aponta que a delegacia móvel instalada no local do show, em um ônibus da polícia, embora tenha sido uma iniciativa bem-intencionada, foi absolutamente insuficiente para atender aos incidentes de eventos que reuniram cerca de 150 mil pessoas por noite, entre 30 de janeiro e a madrugada de 1º de fevereiro, especialmente no registro de boletins de ocorrência.
“Para a complexidade e a urgência dos flagrantes, a estrutura provisória é, lamentavelmente, uma afronta aos requisitos mínimos de um ambiente de trabalho policial”, escreveu a delegada.
Relata ela que o impedimento de usar a Delegacia de Itamaracá, sugerido, mas não aceito, e os problemas da Internet obrigaram a equipe de plantão, no primeiro dia dos shows, na sexta-feira (30), a se deslocar até a Delegacia de Paulista, na Região Metropolitana, a 30 quilômetros de Itamaracá, para registrar um flagrante iniciado por volta das 20h e finalizado às 5h da manhã, em Paulista.

Segundo a delegada, não havia local seguro e digno para manter detidos, também no primeiro dia, um adolescente, um adulto e uma mulher, que foi obrigada a passar a noite inteira no ônibus da polícia, testemunhando o trabalho dos policiais.
Sara Souza Lodi reclama também, no relatório, do que classifica ser “um insulto” a diária de R$ 180 paga por um plantão que, no caso do Pernambuco Meu País em Itamaracá, chegou a se estender por 11 horas ininterruptas de trabalho “sem a mínima condição de descanso ou de higiene”, pois os policiais eram obrigados a usar os mesmos banheiros químicos destinados ao público e às pessoas detidas.
Confira a íntegra do relatório:
OUTRO LADO
Não houve retorno até agora da Polícia Civil. O espaço está aberto a manifestações e a reportagem pode ser atualizada a qualquer momento.













