Da Redação do Blog – Além de obter na Justiça a suspensão da sua demissão, a polêmica delegada Natasha Dolci terá direito a uma indenização de R$ 90 mil pelo governo de Pernambuco, por danos morais, determinou nesta quinta-feira (5) a 3ª Vara da Fazenda Pública.
A juíza Milena Flores Ferraz Cintra considerou que o recolhimento de sua arma e a obrigação de comparecer diariamente ao Departamento de Recursos Humanos da Polícia Civil, determinados por portaria da Secretaria de Defesa Social, embora posteriormente revogados, “causaram prejuízos à sua segurança pessoal e profissional, abalos psicológicos e emocionais, e impactos negativos em sua reputação e carreira profissional”.
“A insegurança de uma delegada sem sua arma, obrigada a se deslocar e comparecer a um órgão policial diariamente, afeta diretamente sua integridade física e psíquica, bem como sua imagem perante a sociedade e a própria instituição”, reforçou a titular da 3ª Vara da Fazenda Pública.
Segundo a sentença, “considerando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como o caráter punitivo-pedagógico da indenização por danos morais, e a gravidade das ilegalidades cometidas, especialmente a exposição a riscos à integridade física de uma delegada de polícia, a fixação de uma compensação se mostra justa e necessária”.

Natasha Dolci já havia comemorado nas redes sociais como “histórica” a decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública que suspendeu seu processo de demissão da Polícia Civil, assinado em julho de 2025 pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho. Segundo ela, não foi uma vitória pessoal, mas uma derrota da censura.
O juiz Jader Marinho dos Santos, titular da 2ª Vara da Fazenda Pública, considerou que as críticas da delegada à Polícia Civil, “embora empreguem linguagem firme, incisiva e, por vezes, áspera, não revelam a intenção de difamar a instituição policial ou seus agentes, mas sim de formular crítica institucional, ainda que em tom elevado, acerca de práticas administrativas e funcionais”.
A demissão da delegada, justificada na portaria da SDS por “transgressões disciplinares”, como divulgar fatos internos da corporação, causar escândalo e se dirigir a superiores de forma desrespeitosa, precisava ser homologada pela governadora Raquel Lyra (PSD) para ser consumada, o que não ocorreu até a decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública, na segunda-feira (2), seis meses depois da assinatura da portaria.
Com mais de 85 mil seguidores no Instagram, Natasha Dolci usou as redes sociais para postar denúncias de má gestão, de perseguição pessoal de dirigentes da Polícia Civil e de assédio moral e sexual por parte de colegas policiais.
Na tumultuada carreira de quase sete anos como delegada da Polícia Civil de Pernambuco, na qual ingressou por concurso em 2019, vinda de Goiás, onde nasceu, chegou a ser transferida mais de 14 vezes de delegacia e passou um ano em tratamento psiquiátrico.












