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Home Política

Flávio Bolsonaro e Alcolumbre atuaram estrategicamente para barrar Messias no STF

Por Danilo Duarte
01/05/2026 - 08:57
O pré-candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).

O pré-candidato a presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).

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Por Malu Gaspar, de O Globo – A rejeição histórica do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi resultado de uma articulação que mobilizou integrantes da tropa de choque bolsonarista, capitaneados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro Alexandre de Moraes e, acima de tudo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalhou até o último minuto para impor a derrota ao governo Lula.

Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que os 41 exigidos pela Constituição. Ao todo, 42 senadores votaram contra, formando um placar que não era esperado nem pelos mais pessimistas aliados de Lula e que supera um precedente histórico: antes de Messias, apenas o governo Floriano Peixoto havia tido indicações para o STF rejeitadas, cinco ao todo, em 1894.

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Alcolumbre passou os últimos dias pedindo votos “não” e pressionando lideranças do Senado, principalmente do Centrão e os considerados “independentes”, passando o recado de que se perdessem a oportunidade de derrotar Messias, não adiantaria depois pedir para que ele colocasse em pauta um dos 97 pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados.

De acordo com fontes envolvidas nas conversas, o presidente do Senado não se comprometeu a pautar nenhum pedido de impeachment, mas foi bem sucedido ao convencer os senadores de que a derrubada do indicado de Lula seria um passo necessário para chegar lá.

O Advogado Geral da União, Jorge Messias. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

“Ele ligou para vários senadores para pedir votos contra”, confidenciou um interlocutor de Alcolumbre. Um dos alvos de pressão foi o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), que anunciou publicamente apoio a Messias, mas foi cobrado a enquadrar a bancada – formada por sete senadores – e entregar o menor número possível de votos “sim”.

Conhecido por nunca atender o celular, o presidente do Senado passou o tempo todo ao telefone falando com parlamentares, em especial os que já estivessem na campanha contra Messias ou estivessem em dúvida. Nas conversas, repetia frases como “faça o seu papel que eu farei o meu” e terminava dizendo que “hoje será um dia histórico”.

Um aliado de Bolsonaro disse ao blog que, um dia antes da sabatina, recebeu a seguinte mensagem de Alcolumbre sobre a votação: “Nós vamos derrotar ele”.

Fator Flávio

A articulação contra Jorge Messias no Senado foi marcada pela entrada em cena de Flávio Bolsonaro, que reuniu senadores do Centrão e reforçou o discurso de que Messias seria um nome ideológico do PT, subordinado a Lula. Ele argumentou que a aprovação politizaria ainda mais o STF e usou pesquisas de opinião para convencer parlamentares de que a rejeição refletiria a “vontade popular”.

Nos bastidores, Davi Alcolumbre atuou em sintonia com Flávio, organizando reuniões secretas e impondo um pacto de silêncio à oposição. A estratégia era evitar discursos no plenário e acelerar a votação, para não dar tempo de reação à base governista. Essa movimentação anulou esforços de ministros como André Mendonça, que apoiava Messias, e também a liberação de emendas feita pelo governo para tentar garantir votos.

O resultado foi uma derrota histórica para Lula, revelando fragilidade na articulação política e mostrando que Alcolumbre, apesar de aparentar neutralidade, sempre trabalhou contra Messias. A rejeição expôs disputas internas no Senado e reforçou a estratégia da oposição de usar o tema STF como bandeira política para fortalecer sua posição nas próximas eleições.

Tags: SenadoSTF
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Danilo Duarte

Danilo Duarte

Jornalista e assessor de imprensa,

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