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Home Política

Planalto fala em traições após rejeição de Messias e estremece relações com aliados

Por Danilo Duarte
01/05/2026 - 13:46
O presidente Lula (PT) e os senadores, Jaques Wagner (PT), Randolfe Rodrigues (Rede) e o ministro da Sec. de Relações Institucionais, José Guimarães (PT).

O presidente Lula (PT) e os senadores, Jaques Wagner (PT), Randolfe Rodrigues (Rede) e o ministro da Sec. de Relações Institucionais, José Guimarães (PT).

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De O Globo – A histórica derrota na indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) fez o governo contabilizar possíveis traições, principalmente em partidos como MDB e PP. A desconfiança abalou a relação do Palácio do Planalto com integrantes da base aliada. Lideranças emedebistas, por exemplo, reagiram acusando o governo de querer transferir responsabilidades pelo resultado negativo.

No PP, interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que a inflexão decisiva ocorreu no dia da votação, quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a atuar diretamente e teria conseguido consolidar a maior parte da bancada, que soma sete votos.

O movimento teria incluído o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), que havia declarado apoio a Messias, mas permaneceu ao lado do presidente do Senado durante praticamente toda a sessão — gesto interpretado como alinhamento à articulação.

Já no MDB, a leitura no Planalto é que a articulação encontrou eco em uma dissidência organizada na bancada. Integrantes do governo avaliam que Alcolumbre também teve papel relevante na consolidação desses votos, ao explorar insatisfações com a escolha feita pelo presidente Lula e interesses cruzados na disputa pela vaga no Supremo.

Em pronunciamento em rede nacional na noite de quinta por ocasião do Dia do Trabalho, o presidente Lula mencionou duas vezes obstáculos impostos pelo “sistema”. O petista afirmou, em um dos trechos, que “cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra”.

O AGU, Jorge Messias, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Cristiano Mariz/O Globo

‘Bode expiatório’

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), negou que a bancada do partido teria atuado contra a indicação. Em nota, o senador classificou as versões como “intriga” e “maledicência” e afirmou que o governo tenta transferir responsabilidades pela derrota: “Aqueles que deveriam aprender com os erros estão afastando aliados ao tentar criar um ‘bode expiatório’ para a situação”, argumentou.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também negou ter traído o governo. “São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias. Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo”, escreveu Renan nas redes sociais.

Messias teve apenas 34 votos a seu favor, sete a menos do que o necessário. A votação foi secreta. O núcleo mais alinhado ideologicamente ao governo, formado por senadores do PT, PDT e PSB, reúne 18 votos. Outros 13 haviam declarado ser a favor da indicação de Messias, mas no governo não há certeza sobre a fidelidade desses parlamentares.

O grupo favorável era composto por sete senadores do MDB (Alessandro Vieira, Confúcio Moura, Eduardo Braga, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Renan Filho e Veneziano Vital do Rêgo), quatro do PSD (Carlos Fávaro, Eliziane Gama, Lucas Barreto e Otto Alencar), além de Ciro Nogueira, do PP, e Dra. Eudócia, do PSDB.

Na hipótese de que todos esses cumpriram a palavra, o placar chegaria a 31 votos. Mas o governo avalia um cenário com adesão de indecisos e traições de senadores em tese mais próximos.

Contas

A oposição teria assegurado os votos contrários à indicação de Jorge Messias ao STF, somando os 16 senadores do PL e outros 11 que já haviam se posicionado contra, incluindo nomes do Republicanos e do PSD.

Um grupo de 21 parlamentares ainda estava em disputa, e relatos apontam que Davi Alcolumbre atuou diretamente, ligando para senadores de diferentes blocos para pedir votos contra e incentivar que convencessem colegas. A assessoria do presidente do Senado, porém, negou essa movimentação.

(Colaborou Luis Felipe Azevedo)

Jaques Wagner é cobrado após errar cálculos

  • Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que o líder do governo do Senado, Jaques Wagner (PT-BA), terá de prestar contas por ter desenhado cenário equivocado de votação para a indicação do ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal.
  • Às 13h15 de quarta-feira, Wagner previu a aprovação de Messias por 45 votos. À tarde, Lula chamou Wagner no Palácio da Alvorada para acompanhar uma agenda com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o questionou sobre a situação de Messias no Senado.
  • De volta ao Congresso, após o encontro com Lula, Jaques Wagner previa placar menor que o anterior, de 41 votos, o limite necessário para a aprovação, e relatou o diálogo com o presidente no qual o tranquilizou.
  • Também há críticas ao ministro José Guimarães, responsável pela articulação política, que assumiu o cargo há duas semanas. Aliados afirmam que o governo deveria ter agido para adiar a votação no plenário. Para esse grupo, o Executivo menosprezou o risco de derrota. (Jeniffer Gularte)
Tags: BrasíliaGoverno LulaSenado
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Danilo Duarte

Danilo Duarte

Jornalista e assessor de imprensa,

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