De O Antagonista – A Polícia Civil de São Paulo afirmou no relatório complementar da Operação Vérnix, deflagrada em 21 de maio que a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra atuava como “verdadeiro caixa” do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A polícia afirma ter encontrado novos elementos que reforçam a suspeita de ligação entre a advogada e o PCC. Nos achados, há, até mesmo, fotos de Deolane nas redes sociais como familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, o líder do PCC.
De acordo com os investigadores, documentos apreendidos durante a operação também reforçam a acusação do Ministério Público de que empresas ligadas à influenciadora teriam sido usadas para lavar dinheiro proveniente do crime organizado. Uma dessas empresas estaria registrada em um imóvel simples em Martinópolis, município distante 136 quilômetros da capital.

Segundo a Polícia Civil, “o conjunto probatório demonstrou que os investigados integravam organização criminosa voltada à ocultação, dissimulação e integração de valores ilícitos provenientes da atuação do PCC”. Essa ocultação ocorria por meio da empresa Lopes Lemos Transportes Ltda e com “ingerência direta da cúpula do PCC, composta por Marco Willian Herbas Camacho e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho”.
Marcola, do PCC, administrava esquema de dentro da prisão
Detalhe: para a Polícia Civil, essa gerência ocorria de dentro da prisão. Marcola está preso na Penitenciária Federal de Brasília e, em teoria, deveria estar sob forte isolamento.
Para a Polícia Civil, o esquema se utilizou de “fragmentação financeira e uso de empresas de fachada, dentre as quais se destacam as pessoas jurídicas vinculadas à investigada Deolane Bezerra Santos, identificada como verdadeiro repositório patrimonial da ORCRIM, o verdadeiro ‘caixa da facção’”.
Em outra frente da investigação, a Polícia Civil menciona mensagens de uma ex-diarista de Deolane, acusada de furtar R$ 80 mil da advogada, em que uma pessoa – supostamente ligada à influenciadora – teria feito o alerta que esse valor era “dinheiro oriundo do crime”. Em uma das mensagens reproduzidas pelos investigadores, ele diz: “Nós lava dinheiro com os parceiro lá, a mãe do parceiro, o parceiro fecha com nós”.
Esse “parceiro”, segundo a polícia, seria Kayky Bezerra, filho de Deolane.
“A partir dessa construção verbal, é possível extrair que o ‘parceiro’ mencionado corresponde a Kayky, filho de Deolane Bezerra Santos, uma vez que o contexto integral das ameaças está relacionado ao suposto desaparecimento de valores no imóvel de um dos filhos da investigada, bem como às cobranças feitas em nome do núcleo familiar”, aponta a polícia civil.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público sustenta que uma transportadora teria sido utilizada para ocultar recursos de origem ilícita. Os investigadores afirmam que os novos elementos apontam para a possível utilização de outras empresas com a mesma finalidade.
Outro documento considerado relevante pela polícia é um arquivo denominado “Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa – Grupo Deolane”. Segundo os investigadores, o material detalha alterações societárias, reorganizações empresariais e projetos de expansão comercial.
Entre as empresas mencionadas no documento está a DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda., registrada na Rua Benvenido Esposito, sala 16. A Polícia Civil afirma ter constatado que outras empresas também funcionam no mesmo endereço.












