Por Ricardo Antunes – A Polícia Federal (PF) investiga novos desdobramentos da Operação Vassalos, deflagrada em fevereiro, que teve como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Filho (União Brasil), ambos filhos do ex-senador.
A informação foi publicada pelo site O Antagonista e confirmada pelo nosso portal. Sob reserva, fontes da PF afirmam que uma nova operação para o recolhimento de provas poderá ser realizada entre agosto e setembro. A autorização depende apenas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, relator do caso.
Miguel Coelho disputa com Eduardo da Fonte a indicação para concorrer ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra. Delegada da Polícia Federal de carreira, Raquel construiu uma imagem de rigor no combate à corrupção. Nos bastidores, ela teria sido alertada sobre o desgaste político de ter um investigado pela PF em sua chapa. “Todo mundo já disse isso a ela”, confidenciou um assessor palaciano.
Na primeira fase da operação, foram autorizados nada menos que 42 mandados de busca e apreensão.

Parte do material recolhido já passou por perícia. Ainda assim, os investigadores buscam novas evidências sobre um suposto esquema de desvios envolvendo emendas parlamentares destinadas à Prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco.
Durante as apurações, a PF identificou indícios da atuação de uma organização criminosa que teria utilizado emendas parlamentares, Termos de Execução Descentralizada (TEDs) e influência política sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para direcionar recursos federais ao município e beneficiar uma empreiteira ligada a familiares do grupo político dos Coelho.
A suspeita dos investigadores é de que os recursos federais tenham sido concentrados em contratos de pavimentação executados posteriormente pela Liga Engenharia.
De acordo com a PF, entre 2017 e 2021, Petrolina recebeu R$ 143,2 milhões em repasses federais por meio de convênios com o antigo Ministério do Desenvolvimento Regional e a Codevasf. Desse total, R$ 135 milhões — cerca de 94% dos recursos — foram destinados a obras de pavimentação e recapeamento de vias públicas.
A polícia afirma que a Liga Engenharia se tornou a principal beneficiária desses contratos. Segundo os investigadores, a empresa recebeu mais de R$ 100 milhões em empenhos da Prefeitura de Petrolina desde 2017, sendo ao menos R$ 22 milhões provenientes de recursos transferidos pela Codevasf.
Após a deflagração da operação, agentes da PF realizaram perícias em celulares, contratos, documentos, aparelhos eletrônicos, itens pessoais e outros materiais apreendidos.
Integrantes da PF ouvidos por O Antagonista e que atuam na investigação afirmam ser necessário aprofundar as apurações sobre a suposta engenharia de transferência de recursos públicos atribuída ao grupo político ligado à família Coelho.
Com isso, a segunda fase da Operação Vassalos é tratada nos bastidores da investigação como uma possibilidade concreta, com novos desdobramentos previstos para os próximos meses.








