Por Ricardo Antunes – O PSB de Pernambuco repete a mesma estratégia que deu errado há quatro anos, insistindo em pautar a vinda do presidente Lula (PT) ao estado. Naquela ocasião, Danilo Cabral acabou em quarto lugar por apenas nacionalizar a disputa em vez de discutir Pernambuco. O candidato atual, João Campos, demonstra não ter aprendido nada e comete os mesmos erros. Agora, a nova data para Lula é a próxima sexta-feira (25).
Várias vindas do presidente a seu estado natal foram especuladas e até confirmadas. A última versão teria sido na quinta-feira passada (17), mas terminou negada ainda no início da semana. O presidente emendaria uma agenda no Ceará e esticaria a Pernambuco. Os cearenses cancelaram primeiro, e ainda assim socialistas insistiam em dizer que Lula viria.
Faltando duas semanas para uma campanha em que sempre ficou atrás, João alimenta a vinda de Lula para tentar crescer, o que não ocorreu. Pelo contrário, isso acaba por desgastar a campanha – e ele não percebe. Quão mais se anuncia que “Lula virá” e o presidente não vem, mais o socialista se abraça em descrédito.
O presidente iniciará a semana nos Estados Unidos, para eventos da Organização das Nações Unidas (ONU). Já beira o improvável que ele venha após compromissos internacionais, em meio a uma série de crises institucionais vivida no Brasil. E o mais complicado: se ele vier, pode dividir o eleitorado do “Luquel”, que vota nele e em Raquel Lyra (PSD). O risco valeria apenas para João, e não para Lula, que precisa do máximo de votos que puder, já que as pesquisas atestam uma aproximação perigosa de Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno.
Ainda assim, no QG de João, todos cravam que Lula virá. Mas ninguém quer apostar. Ou seja, nada é firme, tudo é incerto e possivelmente a semana será de expectativa e possível frustração. Afinal, faltam 15 dias para as eleições, e não haverá mais data hábil para o presidente vir a Pernambuco no primeiro turno. Ruim para quem tem como único motel a presença do presidente, e esquece que já acusou o partido do mesmo de corrupto. O povo é que não esquece.








