Por Manoel Medeiros – Principal ferramenta de marketing usado pelo ex-prefeito João Campos (PSB) para catapultar suas pretensões políticas, a conta oficial do Instagram sob seu domínio passou a filtrar os comentários dos usuários desde o final de semana, reduzindo a possibilidade de exposição das críticas que vem recebendo, a maior parte delas em relação aos escândalos de corrupção que envolveram sua gestão, ao caso do fura-fila do concurso, às discrepâncias entre o marketing e a realidade da cidade do Recife no período das chuvas e também ao uso ostensivo da imagem do seu pai, associadas à ideia de manutenção da oligarquia Campos-Arraes.
Os dados estão registrados em prints (veja abaixo) comprovando a limitação, que inclusive podem ser desativados a qualquer momento. O resultado é que a maior parte das postagens contam agora com majoritária presença de comentários típicos de torcida, com aplausos, corações e mensagens de apoio. Muitos dos usuários com comentários registrados são políticos e integrantes da base do PSB, também composta por comissionados da gestão.
Ao mesmo tempo, páginas que fazem oposição ao ex-prefeito tem percebido o aumento de ataques de boots, espécie de perfis comandados por robôs repetindo frases semelhantes com base no discurso de defesa ou contra-ataque do campo oposto.
No vídeo mais recente postado por João Campos, o ex-prefeito publicou trecho de entrevista à Rádio Folha, na semana passada, em que usa a estratégia da vitimização: Campos alega que tem sofrido uma onda de “ataques de ódio”.
Em outra rede social, o X (antigo Twitter), algumas das publicações do presidente nacional do PSB também já ficaram fechadas para comentários. O fato é uma contradição para um político que se vende com os atributos da “juventude”, “modernidade” e, sobretudo, “conexão com as redes sociais”. A partir do momento que a interação com os cidadãos passa a ser censurada por um filtro editorial de quem a comanda, expõe-se a incoerência.
A nova estratégia também ressalta um obstáculo que não estava na rota do pré-candidato ao governo estadual, com três milhões de seguidores no Instagram e alcance nacional desde que decidiu nevar o cabelo (descolorir) no Carnaval de 2024. Até mesmo as postagens com a sua esposa, a deputada federal Tabata Amaral (PSB), nome de influência nacional, não passaram despercebidas das críticas.
Até pouco tempo, o casal se aproveitava do romance para turbinar as interações e o alcance das suas postagens, inclusive tendo realizado o casamento apenas três meses após o noivado. Cogita-se que a antecipação do matrimônio tenha tido relação com a estratégia político-eleitoral.













