Por Ricardo Antunes – A Operação Check-in, deflagrada ontem pela Polícia Federal no Recife, apreendeu R$ 200 mil em dinheiro vivo e teve como alvos, além do braço direito do ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), João Guilherme de Godoy Ferraz, o assessor do vereador do Recife Carlos Muniz, Adriano Percolli.
O ex-chefe de Percolli, um dos mais fiéis vereadores da base do PSB na Câmara, já ocupou a Secretaria de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife durante a gestão de João Campos. Ele sucedeu João Guilherme Ferraz no cargo. A Pernambuco Conservadora, empresa de terceirização de mão de obra e outro alvo empresarial da operação, manteve, tanto sob a gestão de João Guilherme quanto sob a de Carlos Muniz, contratos de locação de mão de obra junto à Secretaria de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife, uma espécie de Casa Civil.
Adriano Percolli é o atual chefe de gabinete de Carlos Muniz. O vereador não é investigado e não foi alvo da operação.
Entre os nove alvos dos mandados de busca e apreensão, a mansão cuja foto foi divulgada pela Polícia Federal pertence ao empresário Thiago Rangel, que comanda o grupo de empresas de terceirização alvo das operações Check-in e Firenze. Além da Pernambuco Conservadora, pertencem ao grupo a Solserv Serviços Ltda., a Gestão de Terceirização em Serviços, a RC Serviços & Conservação Ltda. e a MA7 Securitizadora S.A.
Fontes ligadas à investigação também apontam que outra empresa, a Shalon Serviços de Conservação Ltda., integra o grupo, que se espalhou para estados vizinhos onde o PSB tem força, a exemplo da Paraíba.

Apenas em 2020, a Pernambuco Conservadora recebeu R$ 25,7 milhões da gestão municipal, dos quais R$ 2 milhões foram pagos pela Secretaria de Governo. Já na gestão João Campos (2021–2025), esse valor passou para R$ 125,1 milhões.
João Guilherme de Godoy Ferraz, principal alvo da operação, seria um dos principais operadores do PSB, mesmo sem ocupar cargo público desde 2022, quando foi exonerado por Paulo Câmara do governo estadual. Ele foi investigado por suspeita de fraude durante a pandemia e esteve no alvo da Operação Barriga de Aluguel, do MPPE, por supostas ligações com o esquema das empreiteiras.
O inquérito, que foi trancado monocraticamente por Gilmar Mendes, estaria relacionado à contratação irregular e sem licitação de uma empreiteira pertencente a um dos melhores amigos de João Guilherme.












