Do Estadão – O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou nesta quarta-feira, 5, a campanha petista. Marcola, como é conhecido, pediu para sair após a Polícia Federal descobrir uma transferência financeira feita a ele pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista em negócios do Careca do INSS.
Braço direito de Lula, Marcola alegou que fez um empréstimo em caráter privado e o quitou com um repasse de R$ 249 mil. Roberta é amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Tanto ela como Fábio, o filho mais velho do presidente, são investigados em inquéritos da PF, sob suspeita de tráfico de influência no governo federal.
Pressionado após a revelação do pagamento feito por Roberta, o assessor conversou com o presidente e solicitou a saída da equipe para que o caso não contaminasse a campanha. Ele contratou o advogado Georges Abboud e disse que concentrará os próximos dias na sua defesa.
Como mostrou o Estadão, na noite de terça-feira ministros já diziam, em conversas reservadas, que Marcola deveria sair do comitê porque o assunto já começava a ser explorado nas redes sociais pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL e principal adversário do PT.
No último dia 21, ele já havia deixado a chefia de gabinete de Lula, no Palácio do Planalto, para integrar o comando da campanha à reeleição. No QG petista, o cientista político atuava ao lado de Gilberto Carvalho, que também foi chefe de gabinete de Lula nos dois primeiros mandatos.
A dupla cuidava da agenda de compromissos do presidente, como fez na campanha de 2022. Na avaliação de interlocutores do presidente, o ex-chefe de gabinete cometeu “um erro” ao ter pedido recursos para Roberta Luchsinger.
Embora tenham manifestado confiança em Marcola, esses mesmos interlocutores observaram, porém, que a descoberta da transferência financeira provocaria desgaste para Lula num momento em que o tema “corrupção” continua sendo uma das maiores preocupações dos eleitores.
Em duas notas divulgadas na noite de terça-feira, Marcola disse que sua atuação pública sempre foi pautada pela ética. “Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça”, escreveu ele. “Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela (Roberta Luchsinger), pago com a transferência bancária de R$ 249 mil – uma movimentação estritamente privada”, completou.








