EXCLUSIVO, Por André Beltrão – A Secretaria de Defesa Social (SDS) publicou neste sábado (6) despacho acolhendo parecer da Corregedoria Geral que recomenda a demissão da delegada Natasha Dolci.
Assinado pelo secretário Alessandro Carvalho Liberato de Mattos, o documento encaminha o caso para análise da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo da Governadora.
Segundo a Corregedoria, Natasha teria cometido infrações previstas no Estatuto dos Funcionários Policiais Civis de Pernambuco, incluindo condutas consideradas incompatíveis com a função policial e manifestações ofensivas ou desrespeitosas contra superiores hierárquicos.
A decisão representa mais um capítulo do embate entre a delegada e a cúpula da Polícia Civil e da SDS.
Natural de Goiás, Natasha ingressou na Polícia Civil de Pernambuco em 2019 e ganhou notoriedade ao utilizar as redes sociais para denunciar supostos casos de perseguição, assédio moral, assédio sexual, irregularidades administrativas e problemas de gestão dentro da corporação.

Em diversas ocasiões, afirmou ter sido transferida mais de 14 vezes, sofrer perseguições funcionais e ter enfrentado problemas de saúde decorrentes do ambiente de trabalho. A delegada também produziu um dossiê relatando supostos episódios de assédio moral e sexual envolvendo integrantes da alta cúpula da Polícia Civil.
Por outro lado, a SDS e a Polícia Civil sustentam que Natasha cometeu sucessivas transgressões disciplinares, incluindo divulgação de informações internas, exposição pública de superiores e atos considerados incompatíveis com o exercício da função.
Nos últimos meses, a delegada também sofreu derrotas judiciais. Foi condenada ao pagamento de indenizações por danos morais em ações movidas por um servidor do TJPE e por um delegado da Polícia Civil, além de ter conteúdos removidos das redes sociais e perfis suspensos por decisões judiciais.
Apesar dos processos, Natasha ingressou na política. Em abril, filiou-se ao MDB por articulação do deputado estadual Álvaro Porto e anunciou pré-candidatura a deputada estadual. O MDB integra a base de apoio ao ex-prefeito João Campos (PSB), principal adversário da governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição.
O OUTRO LADO
Procurada, a delegada disse que recebia com “indignação” mais um pedido de demissão baseado no mesmo suposto “escândalo” que a Justiça já reconheceu como censura. “Quando um governo tenta punir quem denuncia e se manifesta, não estamos diante de disciplina, mas de perseguição política. Não me calaram antes e não me calarão agora. Continuarei lutando por uma segurança pública melhor, sem medo de denunciar quem quer que seja”, afirmou.














