Por Paula Cordeiro – As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar impactos que vão além da indústria exportadora. Segundo a Confederação Nacional de Serviços (CNS), a medida pode desacelerar a economia brasileira e afetar setores como logística, transporte, tecnologia, comércio e serviços financeiros.
Na prática, a tarifa faz com que produtos brasileiros fiquem mais caros para entrar no mercado norte-americano. Com isso, empresas podem vender menos para os Estados Unidos, diminuir a produção e adiar investimentos. Esse cenário também pode reduzir a geração de empregos, refletindo em diversos segmentos da economia.
De acordo com a nota econômica da CNS, cerca de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 76,1 bilhões, pela cotação de referência do Banco Central) em exportações brasileiras podem ser afetados pelas novas tarifas. A entidade estima ainda que o Brasil deixe de exportar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,3 bilhões) e que o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todas as riquezas produzidas pelo país, tenha uma queda entre 0,10% e 0,26%.
Mesmo sem ser alvo direto das tarifas, o setor de serviços deve sentir os efeitos da desaceleração econômica. A CNS aponta que empresas de logística e transporte podem movimentar menos cargas, enquanto consultorias, escritórios de engenharia, empresas de tecnologia e outros prestadores de serviço podem registrar queda na demanda, já que muitas empresas tendem a adiar projetos em momentos de incerteza.
O comércio também pode ser afetado. Com menos atividade nas empresas exportadoras, a expectativa é de redução da renda e do consumo em algumas regiões, atingindo lojas, restaurantes, hotéis e outros serviços voltados ao público.
Apesar do cenário, a CNS avalia que o momento também pode incentivar o Brasil a buscar novos mercados para seus produtos e serviços. A entidade defende o fortalecimento das relações comerciais com países da Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina, além de investimentos em inovação, tecnologia e aumento da produtividade para reduzir a dependência do mercado norte-americano.









