Do Estadão – Municípios de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os mais afetados pelo mais recente tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos comprados do Brasil, que entrou em vigor na quarta-feira, 22. No dia seguinte, 23, veio outra taxação, de 12,5%, que teve início na sexta-feira, 24. Somadas, as tarifas chegam a 37,5% para uma série de produtos exportados aos americanos.
A primeira decisão é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano, como o Pix. A segunda ocorreu sob a alegação de punir 60 parceiros comerciais que, segundo os EUA, falharam em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
Os principais produtos sujeitos à dupla tributação são madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetal e animal e armas. Outras mercadorias, como combustíveis, carnes, café e suco de laranja, ficaram livres das duas taxações.
Piracicaba (SP) é a cidade mais afetada pelo novo tarifaço, de acordo com levantamento do Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
O levantamento considera os dez grupos de produtos brasileiros mais impactados pelas duas novas tarifas e as exportações de 2024, quando não havia tarifaço. Dentro dos grupos, há mercadorias específicas afetadas apenas por uma das sobretaxas e outras afetadas pelas duas.
Piracicaba abriga empresas exportadoras de máquinas e equipamentos para as indústrias agrícola e automotiva dos Estados Unidos. A cidade também foi atingida pelas vendas de produtos químicos orgânicos, papel e etanol. O município já havia sido o mais punido pelo tarifaço de 50% aplicado em 2025, derrubado pela Justiça americana.
Além das empresas exportadoras, os impactos atingem fabricantes que fornecem máquinas, equipamentos, peças e serviços para o setor sucroenergético, segundo o presidente do Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi), Paulo Estevam Camargo.
“Qualquer redução na competitividade do etanol brasileiro ou retração dos investimentos nesse segmento acaba refletindo diretamente sobre a indústria metalmecânica, que fornece tecnologia, equipamentos e soluções para toda essa cadeia produtiva”, disse Camargo. Em Piracicaba e região, o setor metalmecânico estima que 50 empresas são diretamente afetadas, com um contingente de 10 mil empregados.
Com o tarifaço, o temor das companhias aumentou diante das declarações do governo brasileiro sobre adotar a lei da reciprocidade. “A escalada de medidas retaliatórias tende a aumentar a insegurança nas relações comerciais, elevar custos e dificultar ainda mais o ambiente de negócios”, afirmou o representante.










