Por Ingrid Coutinho – Novos documentos apresentados por compradores do Porto Santorini, empreendimento imobiliário na região de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco, indicam que a HSM Desenvolvimento Imobiliário esteve envolvida nas negociações do projeto, apesar da empresa ter negado responsabilidade pela construção do empreendimento.
A HSM afirmou ao Portal, por meio de nota, que não integra a relação contratual do Porto Santorini e que os contratos foram firmados com a HBH Construção de Edifícios Ltda., empresa juridicamente distinta. As duas empresas, no entanto, possuem o mesmo sócio, Higo da Silva Moura.
Documentos encaminhados por compradores à redação mostram que, ao longo do processo de comercialização, o contato foi com a HSM. O material de divulgação do Porto Santorini também estava associado à empresa.
Entre os documentos apresentados está o booking do empreendimento, material utilizado na comercialização das unidades. O documento está em nome da HSM Desenvolvimento Imobiliário e apresenta o Porto Santorini como um projeto com 40 unidades, além de estrutura com garagem, recepção, elevador, lavanderia e outros espaços. O material também descreve a proposta como um empreendimento com “acabamentos nobres e detalhes pensados em garantir uma excelente experiência litorânea”.

As publicações do Porto Santorini permaneciam disponíveis no perfil da HSM no Instagram até a última sexta-feira (7), quando as denúncias dos compradores foram publicadas pelo Portal Ricardo Antunes. Os anúncios divulgavam o empreendimento em nome da HSM, enquanto os contratos de compra e venda eram assinados na sede da HBH.

A diferença entre as empresas está na dinâmica de comercialização, já que a HSM era utilizada na divulgação e na apresentação do projeto aos clientes, enquanto a HBH aparecia nos contratos. A HBH Construção de Edifícios Ltda. está registrada com capital social de R$ 50 mil, enquanto a HSM Desenvolvimento Imobiliário possui capital social de R$ 110 mil.


“A HSM é onde ele divulga em rede social e onde ele tem investidores estrangeiros, argentinos, portugueses… Então ele não queria manchar a imagem da HSM, mas há vários prédios com problemas”, afirmou um dos compradores.
Os contratos previam a entrega dos imóveis entre 2023 e janeiro de 2024, mas nenhuma das unidades foi concluída dentro do prazo. Diante da paralisação, os compradores decidiram assumir a condução da obra por conta própria e constituíram um condomínio para tentar concluir o empreendimento. O principal obstáculo para a retomada é financeiro. As famílias afirmam que cerca de R$ 3 milhões que deveriam ter sido destinados ao empreendimento não foram repassados ao grupo, deixando um rombo no caixa e impedindo o avanço da construção.
Em nota anterior, a HSM negou ser responsável pela execução da obra, pela administração do condomínio de obra ou pelas obrigações atualmente discutidas pelos compradores. A empresa sustentou que os contratos foram firmados com a HBH, pessoa jurídica distinta.
A apresentação dos novos documentos coloca em questão a extensão da participação da HSM na comercialização e na divulgação do empreendimento. A HSM segue atuando no mercado imobiliário, com novos empreendimentos em destinos turísticos como Maragogi e São Miguel dos Milagres, em Alagoas, e Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.









