Por Ricardo Antunes – O publicitário Igor Paulin aprontou mais uma. Noves fora as várias que eu nem tive tempo de escrever ainda e que ainda vou contar.
Muito jovem e ainda sem domar a vaidade em excesso, tão comum nessa idade, o rapaz anda tentando se valorizar no mercado do marketing político.
Em conversa com Malu Gaspar, do Globo, atribuiu a si um papel importante na recuperação de Raquel Lyra e na mudança de ambiente em torno da governadora.
É uma narrativa interessante. Resta saber se o portfólio a sustenta. Vamos lá. Paulin também esteve na comunicação do projeto de Miguel Coelho para o Senado. A candidatura sequer virou realidade na ata partidária, e o ex-prefeito teve que se humilhar para conseguir bases que possam suportar sua candidatura a deputado federal.
Em Alagoas, Igor Paulin assumiu a missão de trabalhar o projeto estadual do ex-prefeito JHC, que atravessa um cenário de indefinições e ganhou um problema adicional com o desgaste provocado pela operação da Polícia Federal, ontem, envolvendo aplicações do instituto de previdência de Maceió no Banco Master.
São circunstâncias distintas, evidentemente. Mas, para quem se vende como tendo uma capacidade especial de mudar o rumo de disputas eleitorais, chama atenção que os casos em que recebeu maior protagonismo não tenham produzido exemplos particularmente convincentes dessa suposta habilidade.

Nesse sentido, a disputa pelo governo de Pernambuco talvez seja a instância mais favorável para essa construção de reputação.
Isso porque, quando Paulin entrou na campanha de Raquel, encontrou uma governadora cuja recuperação política e de imagem já vinha sendo construída e consolidada havia meses. Essa coisa de dizer que “fez e aconteceu” é conversa mole que provocou espanto em todo o meio que trabalha com marketing eleitoral. E risadas, é claro.
A aprovação melhorava, a posição eleitoral já apontava a liderança de Raquel e havia uma estrutura política e de comunicação organizada trabalhando para cristalizar o novo momento na disputa eleitoral. O crescimento foi visível de 22,5% a junho de 2026, e o perfil oficial da governadora deu um salto de 1,1 milhão para 1,8 milhão de seguidores, em um trabalho de crescimento orgânico.
Os números que podem ser consultados por ferramentas mostram que a governadora chegou a ter 2,3 vezes mais engajamento que João Campos, além de ultrapassar o presidente Lula durante as visitas do petista ao estado, como em dezembro de 2025.
Mérito pode haver, naturalmente. O que parece mais difícil é medir quanto da chamada “virada” nasceu da mão do novo marqueteiro e quanto já estava em curso antes de ele desembarcar.
No marketing político, como no futebol, vitória costuma produzir muitos pais.
Diante do retrospecto recente dos demais clientes, porém, os supersticiosos do Palácio talvez prefiram que Paulin reivindique menos a paternidade da virada e se concentre apenas em não transmitir seu azar à governadora.
Com esse histórico, é melhor ele trabalhar muito mais e falar bem menos.








