Do JC – A família da pernambucana Nadja Alexandrino de Medeiros Gonçalves, de 49 anos, está há 11 dias retida em uma fila de caminhões na Argentina, próximo à fronteira com o Chile, em decorrência de uma forte nevasca. Ela viaja com o marido, Emerson, de 52 anos, que é caminhoneiro, e a filha do casal, Sofia, de 11 anos.
Segundo Nadja, mais de mil carretas estão paradas em fila na região. O grupo enfrenta temperaturas próximas de zero, dificuldade para comprar alimentos e falta de estrutura básicas, sem previsão de quando vão conseguir cruzar a fronteira.
Liberação dos caminhões deve demorar
Ao Jornal do Commercio, Nadja conta que as autoridades divulgam diariamente informações sobre a situação da estrada. No ponto onde a família está, não neva desde ontem e o gelo já derreteu, mas a sensação térmica era de -3°C na manhã desta quarta-feira (12). Mais perto da fronteira, ainda há muito gelo.
Ela conta que foi anunciado aos caminhoneiros que 100 carretas serão liberadas ainda hoje para seguir em direção a Zapala, na Argentina, onde os caminhões precisam passar antes de seguir para a aduana e entrar no Chile. Mas a medida ainda não alcançaria a família, que está muito distante na fila de caminhões.
“A gente não tem aquela previsão correta. Agora mesmo o tempo está fechado aqui e a previsão é de chuvas. Aí, quando chove e neva, já dá aquela suspendida nas passagens dos caminhões. A gente tem que esperar dar uma melhorada no clima para eles poderem liberar novamente. Então é tudo muito incerto”, contou.
Escassez de suprimentos
A família possui roupas para enfrentar as baixas temperaturas, mas Nadja relata forte preocupação com outros caminhoneiros que enfrentam situação mais grave. “Ontem mesmo eu estava conversando com um motorista que está sem luva. Tem outro aqui que está com um casaco fino”, contou.
Nadja afirma ter tido conhecimento da morte de três caminhoneiros durante o período de retenção. Segundo ela, dois teriam morrido na região das montanhas, onde as condições de frio e altitude seriam ainda mais severas. Outro motorista teria sofrido um infarto na região da aduana, na fronteira entre os dois países.
A família, que está na Argentina desde o dia 21 de julho, levou mantimentos para a viagem, mas não esperava permanecer tanto tempo parada. Com o passar dos dias, o estoque diminuiu e os gastos aumentaram.
Há um mercado e uma padaria a cerca de 25 a 30 minutos de caminhada do local onde a família está, mas os preços são elevados. “Não dá para fazer as três refeições. Tem que priorizar uma refeição que é de sustância, e as demais a gente come lanche”, explicou.
Uma pizza grande com oito fatias tem custado R$ 80. Já uma garrafa de cinco litros de água mineral custa aproximadamente R$ 25. Para tomar banho, moradores de locais mais próximos oferecem o uso dos banheiros por R$ 17.
Apoio não chega a todos
Também existem pontos de apoio instalados em áreas consideradas mais críticas. Neles, são distribuídas refeições e oferecido atendimento de saúde. O Exército também estaria levando alimentos para alguns trechos da fila.
O problema é que a família está distante desses locais. Um dos pontos de distribuição de sopa fica a cerca de três quilômetros de onde eles estão. “Daqui que chega lá, que volta, a sopa já está congelada e a gente também”. Em alguns momentos, voluntários também distribuíram alimentos. Na terça-feira (11), um grupo ligado a uma igreja entregou tortilhas e café quente aos motoristas.
Diante da demora para conseguir deixar a região, Nadja afirma que tentou buscar auxílio por diferentes canais. Ela conta que enviou um e-mail à presidência da Argentina, pedindo atenção para a situação dos caminhoneiros e solicitando apoio com alimentação e agasalhos. Segundo ela, não recebeu resposta.
Ela também procurou o consulado, e foi orientada a procurar a polícia na região. “A polícia passa para controlar o fluxo, mas tem que ser montada uma força-tarefa pra poder alcançar esses motoristas todos”, conta. “Eu não estou aqui para buscar ajuda apenas para minha família. Eu estou falando em nome dos vários caminhoneiros que estão aqui”, afirmou.










