Da Redação – A falta de cautela na análise de documentos e procedimentos pode levar despachantes documentalistas a serem envolvidos em investigações e até processos criminais. O alerta foi feito pelo delegado de Polícia Civil Alaumo Lima durante palestra nesta quinta-feira (3), ao abordar crimes e procedimentos administrativos relacionados à atuação da categoria.
Durante a apresentação, Alaumo citou como exemplo fraudes envolvendo veículos. Segundo ele, um golpista pode recorrer aos serviços de um despachante para realizar procedimentos relacionados a um veículo clonado, fazendo com que o profissional acabe envolvido na apuração do caso.
Quando uma ocorrência desse tipo chega ao conhecimento da Polícia Civil, explicou o delegado, a investigação pode alcançar toda a documentação utilizada no procedimento e as pessoas que participaram dele.
“O delegado oficia a entidade do Detran para que remeta todo o procedimento a que o despachante deu entrada naquele veículo, para saber de fato quais foram os atos e os documentos catalogados ali”, afirmou.
A partir dessas informações, segundo Alaumo, a autoridade policial pode realizar intimações e ouvir as pessoas responsáveis pelos documentos apresentados. O delegado afirmou já ter sido procurado por despachantes que foram intimados em investigações conduzidas por outras delegacias.
Delegado recomenda cautela com documentos
Diante dos riscos, Alaumo recomendou que os profissionais verifiquem cuidadosamente a regularidade dos documentos e das operações antes de realizar qualquer procedimento em nome de clientes.
“Andem precavidos. Quando forem fazer qualquer procedimento, sejam muito cautelosos. Nunca vão pela aparência, pela vestimenta”, alertou.
Segundo o delegado, a falta de verificação pode colocar o profissional em uma situação de risco jurídico. “Eu vi muita gente entrando em sinuca de bico, respondendo processos criminais e sendo condenada porque não analisou em plenitude a veracidade, a legalidade e o respaldo”, afirmou.
Movimentações financeiras também exigem atenção
Alaumo também chamou a atenção para o risco de despachantes permitirem que terceiros utilizem suas contas bancárias, inclusive em razão de relações de confiança mantidas com empresários e proprietários de concessionárias.
Segundo ele, valores de origem ilícita depositados em contas pessoais ou empresariais podem fazer com que o profissional passe a ser investigado pelas autoridades responsáveis pela apuração da movimentação financeira.
“O próprio despachante pode ter em suas contas dinheiro sujo creditado”, alertou.
O delegado recomendou, por isso, atenção à origem dos recursos movimentados. “Tenham muita precaução com aquilo que é depositado na conta de vocês para vocês não entrarem nessa sinuca de bico”, afirmou.
A palestra de Alaumo Lima integra a programação do encontro promovido pelo Conselho Regional dos Despachantes Documentalistas de Pernambuco (CRDD-PE), que reúne profissionais e especialistas para discutir questões relacionadas ao exercício e ao futuro da atividade.











