Da Redação – A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), apontou a situação dos prédios-caixão na Região Metropolitana do Recife como uma das principais “arengas” enfrentadas desde que assumiu o governo estadual. A declaração foi dada nesta quarta-feira (16), durante sabatina no Arenga Política, podcast do Portal do Ricardo Antunes.
A chefe do Executivo estadual afirmou que passou a se envolver diretamente com o problema depois de desabamentos registrados no início de sua gestão, em 2023. Segundo a governadora, a primeira dificuldade foi identificar de que maneira o governo estadual poderia atuar diante de uma questão que envolvia diferentes órgãos e esferas do poder público.
“Desde o primeiro momento, a minha inquietação [foi]: ‘Poxa, eu vou ficar assistindo pela TV? Qual o meu papel nisso? O que é que o governo do Estado pode fazer?’ Porque, de imediato, o Corpo de Bombeiros me faz atuar buscando salvar vidas, resgatar corpos. Não é isso que eu quero. O que é que eu posso fazer?”, afirmou.
De acordo com Lyra, as primeiras conversas com a equipe estadual de habitação e com a Caixa Econômica Federal indicaram dificuldades para definir a responsabilidade sobre o problema, que também envolvia disputas na Justiça estadual e na Justiça Federal e questões relacionadas a seguradoras. “Eu disse: ‘Gente, vem cá, eu vou ser parte da solução’”, relatou.

A governadora disse que um levantamento feito pela Defensoria identificou mais de 300 prédios que precisariam ser demolidos. Parte dos imóveis, segundo ela, já não era ocupada pelos mutuários, mas havia sido ocupada por pessoas ligadas a movimentos de luta por moradia ou que não tinham onde morar.
Lyra afirmou que o governo estadual passou então a discutir uma solução com a Caixa Econômica Federal e o governo federal. Segundo ela, a articulação também contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dos ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Rui Costa, da Casa Civil, além de integrantes do Judiciário envolvidos na mediação dos conflitos.
A solução relatada pela governadora envolveu o pagamento de indenizações aos mutuários, que, segundo ela, ficariam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, além da concessão de auxílio-aluguel pelo Estado aos ocupantes e do compromisso de destinar essas famílias a novas moradias.
“O Estado fez auxílio-aluguel, [assumiu] um compromisso de destinar essas pessoas para casas novas construídas. Ficamos com a doação dos terrenos quando fossem demolidos os prédios, para que a gente pudesse construir habitação popular ou qualquer outro equipamento de interesse público”, disse.











