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Home Pernambuco

Raquel afirma que foi ‘uma das mulheres mais violentadas’ nas eleições e cobra regulamentação nas redes para evitar o ataques de robôs

Por Redação
12/10/2026 - 11:42
A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra, em entrevista ao Estadão

A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra, em entrevista ao Estadão

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Por Roseann Kennedy, do Estadão – Única mulher eleita governadora eleita no primeiro turno, Raquel Lyra (PSD) foi reconduzida para mais um mandato de quatro anos em Pernambuco. Superado o desafio das urnas, ela reflete sobre a campanha e desabafa: “Fui uma das mulheres mais violentadas do Brasil”.

Em entrevista à Coluna do Estadão, a governadora critica os métodos da disputa, cobra regulamentação das redes para evitar os ataques de robôs e reclama da falta de clareza nas atribuições dos Poderes no país. “Não vale tudo na política, o Brasil precisa discutir futuro… Está confuso o papel do Congresso, TSE, STF, TJ e TCE. Está uma confusão e não sabemos a quem recorrer”, avalia.

Sobre a corrida presidencial, ela continua sem declarar voto, manifesta gratidão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio administrativo e pelos investimentos no estado, mas ressalta que sempre construirá pontes com o governo que for eleito.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual é o recado que a senhora enxerga que veio das urnas no primeiro turno das eleições gerais?

Falando aqui do meu país Pernambuco, o recado que vem para mim é de que vale a pena trabalhar e entregar. Durante o nosso mandato inteiro, eu disse que o maior desafio era unir Pernambuco em torno da bandeira do nosso Estado. As pessoas estavam tão divididas que eu dizia: vamos esquecer quem é amarelo, vermelho, roxo, verde, e vamos trabalhar pelo nosso Estado. A gente precisa parar de olhar para aquilo que nos separa e trabalhar por aquilo que nos une. Chegamos com 70% de aprovação do governo. Tiramos 500 mil pessoas da extrema pobreza em Pernambuco e geramos mais emprego de carteira assinada do que Bolsa Família. O recado que eu recebo é de que as pessoas querem saber quem cuida delas, quem se importa no seu dia a dia em fazer o Estado prosperar. As pessoas estão cansadas de polarização.

No primeiro turno, a senhora não declarou voto para nenhum candidato. Agora, vai fazer campanha para o presidente Lula ou para Flávio Bolsonaro?

Eu não faço agradecimento ao presidente Lula porque era época de eleição. Desde o primeiro dia em que estive com ele, pedi que não deixasse a eleição de 2026 atrapalhar o que a gente podia fazer junto. Desde o primeiro momento, tenho gratidão e reconhecimento. Coloco a minha coerência: sou pernambuquista, coloco Pernambuco e o povo de Pernambuco acima de qualquer disputa eleitoral partidária, e isso eu vou manter. O povo pernambucano votou em maioria com o presidente Lula e comigo. Não existe uma verticalização da eleição. A população expressou a gratidão a mim e ao presidente, e eu vou continuar trabalhando junto com ele.

Ficou algum mal-estar pelo fato de Lula ter rompido o pacto de neutralidade e ido para ao palanque de João Campos na reta final do primeiro turno?

Devo ir a Brasília muito em breve com meus projetos debaixo do braço para pedir recursos e firmar projetos pactuados que precisam sair do papel, como o metrô do Recife e a Transnordestina. Não posso questionar o posicionamento do presidente da República; ele tem liberdade para tomar suas decisões. Tive sempre com ele uma relação de muito respeito e baseada em entregas. Agora precisamos olhar para a frente. Não fecho portas. Essa questão de mágoa é do ponto de vista pessoal, só você pode até ter alguma leitura sobre o processo, mas institucionalmente tenho a responsabilidade de trabalhar junto, sempre.

Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial, como será seu relacionamento com o novo governo?

Esse é um exercício de futurologia. O que eu disse ao povo em 2022 é que teria capacidade de construir pontes, trabalhar e entregar. O governo anterior, do PSB, brigou com três presidentes da República. Perdemos a Transnordestina, vimos o Estado ter a maior quantidade de obras paralisadas e virar campeão de desemprego. Da mesma forma que trabalhei com os 184 municípios pernambucanos, trabalhei com o presidente da República. Vamos esperar a eleição acontecer. Fui capaz de construir essas pontes e vou continuar trabalhando. O mais importante de tudo é ter capacidade de compreender que um Estado como o nosso não tem capacidade de se isolar do Brasil e muito menos do mundo. O Brasil precisa construir nesta campanha uma discussão sobre o futuro.

A direita teve vitória expressiva no primeiro turno no país inteiro. A direita está conseguindo se comunicar melhor sobre o que é esse projeto de futuro?

Talvez esteja falando de temas que não estão sendo falados. A partir de agora vou poder me aprofundar um pouco mais no que está acontecendo em nível nacional. Nós vivemos uma campanha muito violenta e dura aqui, baseada fundamentalmente em desconstrução de biografia. Atacaram a mim, a minha família e a minha honra. Não dá para viver num Brasil onde a gente não possa discutir ideias, onde se tem um processo sistemático de desconstrução de biografia como método. Precisamos ter uma democracia livre, uma imprensa livre e democratizar com políticas de participação inclusiva e de gênero. Nunca imaginei disputar uma eleição tão rasteira. Uma eleição nos dias de hoje é feita de recortes de 15 ou 30 segundos, cancela alguém ou lacra alguém. O debate precisa ser muito mais profundo. A violência política não é normal e o uso de ferramentas que vão além do permitido pela legislação não pode acontecer. Eu tenho certeza que não aconteceu só comigo, mas tenho certeza que eu fui uma das mulheres mais violentadas do Brasil durante essa eleição.

Um dos vídeos que viralizaram foi com sua declaração sobre a laqueadura em uma mulher sem ela saber. Até que ponto aquilo abalou a sua campanha?

Aquela é uma frase absolutamente descontextualizada. Eu não estava falando com uma médica ou secretária de saúde, estava falando com uma assistente social sobre uma mulher que estava em risco na sua sétima gravidez. Aquele vídeo foi tirado há um ano e meio atrás, em maio de 2025. A frase é equivocada, descontextualizada. Qualquer frase dita nesse contexto é passível de desculpas e não representa quem sou. Mas fui a governadora que mais realizou política pública para a mulher na história de Pernambuco. É muito mais fácil violentar uma mulher do que cancelar um homem. Quantas vezes uma mulher precisa pedir desculpas? Eu nunca vi homens pedirem desculpas. Veja, disseram que eu assassinei meu marido e depois inventaram que eu tinha colado o cartaz. Isso mexe comigo, com minha família mexe com candidatura. Identificamos mais de mil robôs fazendo campanha contra nós e gabinetes de ódio. Precisamos lutar no Brasil para que isso seja regulamentado.

Qual o principal fator dessa crise?

Primeiro, não temos regulamentação de internet. Depois, precisamos compreender o papel de cada uma das instituições na proteção das eleições. Como não houve regulamentação sobre o uso de robôs, precisei entrar com 500 ações. Não vale tudo na política. A lentidão no processo e a necessidade de resposta rápida dificultam, mas é importante aprofundar esses processos para que o Brasil tenha eleições mais tranquilas e limpas. Não pode ser sobre quem tem mais capacidade de produzir mentiras na internet. O Brasil precisa discutir futuro. Está confuso o papel do Congresso, TSE, STF, TJ e TCE. Está uma confusão e não sabemos a quem recorrer.

Na sua avaliação qual foi o peso dessa crise, principalmente no STF, no resultado do primeiro turno?

Fui muito perguntada sobre a crise do Supremo durante a minha campanha. Tive dificuldade de acompanhar e de entender os contextos de cada coisa para emitir uma opinião embasada. O que penso é que as pessoas olham perplexas e se perguntam o que vai ser. Muitas decisões e votos são tomados a partir disso. Precisamos ter estabilidade institucional. Não é isso que deve delimitar o voto. O tema do debate precisa ser o futuro do Brasil, como crescer de maneira justa e sustentável, e como fortalecer a democracia.

Assista a entrevista na íntegra: 

Tags: PernambucoPSDRaquel Lyra
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