Do UOL – O candidato Flávio Bolsonaro (PL) não descartou que vá nomear o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para um cargo em um eventual governo e negou a possibilidade de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro ser chanceler.
O que Flávio disse
“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, disse Flávio em sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo. “Tenho o privilégio de, na hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, tenho dentro de casa um de confiança. Sou privilegiado. Mas ele nunca tratou de cargo comigo.”
Flávio diz que Bolsonaro nunca “tratou disso”, em referência a um possível cargo no governo para o pai, caso seja eleito. “Não está no radar.”
Questionado sobre Eduardo, Flávio negou que ele possa ser chanceler caso ele vença a eleição. “Não. Ele não vai ser meu chanceler. Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia, a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país.” Em maio, Flávio admitiu a possibilidade de nomear o pai em um eventual governo. “Se ele quiser exercer algum cargo no meu governo, é óbvio que ele vai exercer, sim.”
Ataques a Lula
Flávio acusou Lula de espalhar informações falsas sobre suas propostas econômicas e afirmou que a saída do petista seria a principal medida para melhorar as contas públicas. Também negou que pretenda acabar com aposentadorias ou privatizar estatais e afirmou que vai manter o reajuste do salário mínimo e o teto de gastos para saúde e educação.
“Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que privatizaria Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.”
Promessa de não disputar reeleição
Flávio afirmou que abrirá mão de disputar um segundo mandato, mesmo que o Congresso não aprove o fim da reeleição. O senador também descartou a necessidade de ampliar o mandato presidencial para cinco anos.
“Sim, abriria mão. Eu só preciso de um mandato. Eu só quero um mandato para começar a consertar o nosso país de verdade.”
Banco Master e ‘Dark Horse’
Flávio foi questionado sobre os quase R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo os valores apresentados por Renata Lo Prete, aproximadamente R$ 70 milhões foram repassados ao projeto. Apesar de negar qualquer irregularidade, ele evitou explicar as contas do filme.
“Estou falando de um pedido de patrocínio privado para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida, para fazer um filme do Jair Bolsonaro.”
A jornalista também questionou a diferença entre o valor solicitado e os R$ 75 milhões apontados como custo da produção. Flávio afirmou que o contrato não foi integralmente cumprido e que outros investidores contribuíram para concluir o filme.
Fim da escala 6×1
O candidato afirmou que não tentará reverter o fim da escala 6×1 caso seja eleito. Flávio havia criticado a proposta, mas mudou de posição e votou a favor da medida.
“Com relação a 6×1, eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar a sua própria escala de trabalho. Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Cada um pode ter a sua opinião individual, mas, da minha parte, isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso. Eu rodei o Brasil inteiro, eu ouvi muitos trabalhadores, e eu votei conforme o que eu vi nas ruas, como eu vi na grande maioria dos trabalhadores, que eles estavam favoráveis ao fim da escala 6×1, eu resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros.”
O senador também defendeu medidas para recuperar o poder de compra dos trabalhadores, afirmando que um dia adicional de descanso não resolve as dificuldades financeiras da população.
Ajuste fiscal e ministérios
Flávio prometeu extinguir pelo menos dez dos atuais 39 ministérios e defendeu o aproveitamento de imóveis públicos para gerar receitas. As medidas fazem parte de um plano de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões. O candidato também afirmou que manterá os reajustes do salário mínimo acima da inflação e negou mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação.
Respeito ao resultado das urnas
Flávio afirmou que respeitará o resultado da eleição caso seja derrotado. O senador, porém, disse acreditar que os brasileiros escolherão uma mudança de governo no segundo turno.
Eu vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independente de qual for o resultado eu vou respeitar, só que eu tenho a convicção de que o Brasil já escolheu a mudança.










