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Home Política

Pressão sobre Judiciário é “intolerável”, diz Fachin após fala de Villas Bôas sobre STF

O general Eduardo Villas Bôas relata ter articulado com a cúpula do Exército uma postagem de 2018, pressionando o Supremo antes de julgamento de Lula.

Por Ricardo Antunes
15/02/2021 - 16:08
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Do G1 — O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira (15) que qualquer pressão fora da normalidade jurídica sobre o poder Judiciário é “intolerável” e “inaceitável”.

 

Fachin deu a declaração ao comentar posts do ex-comandante do Exército general Eduardo Villas Bôas, publicados em 2018, no dia em que o tribunal julgaria um pedido da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva contra a prisão do ex-presidente.

Na ocasião, Villas Bôas, então comandante do Exército, escreveu no Twitter:

“Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

O general Eduardo Villas Bôas, em foto de dezembro de 2019, durante inauguração do instituto que leva o nome dele, em Brasília

Em seguida, num novo post, ele acrescentou: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

Os posts do general voltaram a ser discutidos nos últimos dias com a publicação do livro “General Villas Bôas: Conversa Com o Comandante”, escrito pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Celso Castro, a partir de relatos feitos a ele pelo militar.

No livro, Villas Bôas conta que o texto publicado na rede social “teve um ‘rascunho’ elaborado pelo meu staff e pelos integrantes do Alto Comando residentes em Brasília”. Disse também que “tratava-se de um alerta, muito antes que uma ameaça”.

Em seu comentário sobre o caso, Fachin acrescentou que cabe ao Supremo defender a Constituição. O ministro foi o relator do habeas corpus pedido pela defesa de Lula.

Às vésperas do julgamento que poderia inocentar o ex-presidente, general pressionou ministros do Supremo.

“Diante de afirmações publicadas e atribuídas à autoridade militar e na condição de relator no STF do HC 152752, anoto ser intolerável e inaceitável qualquer forma ou modo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário. A declaração de tal intuito, se confirmado, é gravíssima e atenta contra a ordem constitucional. E ao Supremo Tribunal Federal compete a guarda da Constituição”, escreveu Fachin em nota.

O ministro disse ainda que o golpe contra o Capitólio (sede do Congresso dos Estados Unidos) no dia 6 janeiro foi frustrado porque as Forças Armadas norte-americanas tiveram “postura exemplar” e se mantiveram “dentro da legalidade constitucional”.

“Frustrou-se o golpe desferido nos Estados Unidos da América do Norte contra o Capitólio pela postura exemplar das Forças Armadas dentro da legalidade constitucional. A grandeza da tarefa, o sadio orgulho na preservação da ordem democrática e do respeito à Constituição não toleram violações ao Estado de Direito democrático”, completou o ministro.

No julgamento em 2018, a defesa tentava evitar a prisão após a condenação de Lula em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP). Por 6 votos a 5, o Supremo rejeitou o pedido. Dias depois, por ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lula foi preso.

 

Tags: AutoritarismoEdson FachinGolpeSTF
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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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