Da Redação do Blog — Advogado, Joaquim Francisco foi um dos maiores políticos de Pernambuco, elegendo-se prefeito do Recife, Governador de Pernambuco e deputado federal. Foi também ministro do Interior, durante a gestão de José Sarney.
Conheça a trajetória de Joaquim Francisco:
Joaquim Francisco de Freitas Cavalcanti nasceu em Recife no dia 14 de abril de 1948, filho de José Francisco de Melo Cavalcanti e de Creusa Arcoverde de Freitas Cavalcanti. Seu tio, José Francisco de Moura Cavalcanti, foi governador de Pernambuco (1975-1979).
Iniciou seus estudos universitários em 1966, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe). Neste mesmo ano filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Um ano depois, foi nomeado oficial-de-gabinete do governador Nilo Coelho (1967-1971), cargo que ocupou até 1970, quando se formou em advocacia. Ainda nesse ano, tornou-se assistente da presidência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Cinco anos depois, deixou este órgão para ser presidente da Comissão de Defesa Civil de Pernambuco. Ainda em 1975, foi nomeado secretário de Trabalho e Ação Social no governo de seu tio Moura Cavalcanti (1975-1979), cargo que ocuparia até 1979.
Em 1977, assumiu o cargo de presidente do conselho de administração da Companhia de Habitação Popular (Cohab). No ano seguinte, tornou-se procurador judicial da Junta Comercial do estado. Atuando na iniciativa privada, entre 1979 e 1980 foi diretor administrativo-financeiro da Companhia de Alumínio do Nordeste.

Com a extinção do bipartidarismo, ocorrida em novembro de 1979, e a conseqüente reorganização partidária, Joaquim Francisco transferiu-se para o Partido Democrático Social (PDS), legenda que sucedeu a Arena em seu apoio ao regime militar. Filiado a este partido, em 1981 foi nomeado prefeito do Recife pelo governador Roberto Magalhães. Em 1984, defendeu a emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano.
Entretanto, como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação — faltaram 22 para que a emenda pudesse ser encaminhada à apreciação pelo Senado —, foi definida a eleição pelo Colégio Eleitoral, que se reuniu em 15 de janeiro de 1985.
Joaquim Francisco apoiou o candidato oposicionista Tancredo Neves, que derrotou pela via indireta o candidato do regime militar, Paulo Maluf, sendo eleito presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.
Ainda em 1985, Joaquim Francisco migrou para o Partido da Frente Liberal (PFL), encerrando nesta legenda seu mandato à frente da prefeitura de Recife. Em sua atuação como prefeito da capital pernambucana, beneficiou as comunidades carentes da cidade, conquistando grande prestígio popular. Em virtude de sua grande popularidade, atraiu a simpatia do então ministro da Educação e um dos nomes de maior projeção nacional do PFL, Marco Maciel, que o queria disputando o governo do estado no pleito de 15 de novembro de 1986.

No entanto, Joaquim Francisco se candidatou a uma cadeira de deputado federal constituinte, sendo o nome mais votado da bancada do PFL pernambucano naquela legislatura, com uma votação surpreendente em todo o chamado “bolsão de pobreza”, recebendo um total de 142.359 votos.
Empossado em 1º de fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), no período de 30 de abril a 5 de agosto de 1987 licenciou-se do mandato parlamentar para exercer o cargo de ministro do Interior no governo José Sarney (1985-1990).
Permaneceu por pouco tempo à frente da pasta em virtude de um desentendimento com o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Dorani Sampaio, filiado ao PMDB, e por divergir do presidente da República, a quem criticara por “fazer um governo de transições fazendo transações”.

De volta à ANC, rompeu com o líder do PFL, o deputado baiano José Lourenço, e pregou o rompimento do partido com o governo Sarney. Nas votações mais importantes da Constituinte, pronunciou-se a favor do mandado de segurança coletivo, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da pluralidade sindical, do presidencialismo e da anistia aos micro e pequenos empresários.
Conselheiro do Instituto Roberto Simonsen (IRS), órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), entre 1987 e 1988, elegeu-se prefeito de Recife em novembro desse último ano, por uma ampla coligação que reunia o PFL, o PDS e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), além de outras agremiações de menor expressão. Foi empossado no cargo em janeiro de 1989.

Considerado um político de linhagem conservadora, o governador eleito de Pernambuco surpreendeu ao entregar cargos importantes no segundo escalão do seu governo a ex-militantes de esquerda. Definindo-se como um político que valorizava a competência como critério para a formação dos quadros administrativos, Joaquim Francisco justificou a presença de muitos antigos comunistas em sua equipe argumentando que “essa gente que estava perdida desde a queda do muro de Berlim poderia trazer uma grande contribuição, ao complementar a eficiência do liberalismo com os ideais de solidariedade do socialismo”.
Nos fim dos anos 90, Joaquim Francisco foi eleito mais uma vez deputado federal pelo Estado, e exerceu seu mandato de 1999-2007.










