Por Bianca Gomes e Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão – As pesquisas qualitativas – que não têm rigor estatístico, mas ajudam a compreender o que está na cabeça do eleitor -, mostram que João Campos é visto como um gestor competente pelos pernambucanos, mas parte dos eleitores o considera ainda jovem para assumir o governo do Estado – o ex-prefeito está com 32 anos.
A ideia da campanha de Campos é usar a sua juventude como um trunfo para enfrentar uma adversária que, segundo o presidente do PSB pernambucano, Sileno Guedes, sofre com a falta de entregas concretas e promessas de campanha não cumpridas.
“O dinamismo que João emprestou para a Prefeitura de Recife e pode emprestar para Pernambuco vai de encontro ao que acontece hoje no Estado, que é lento, sem liderança e sem grandes investimentos”, disse o dirigente. Campos foi reeleito prefeito de Recife com 78% dos votos e ficou conhecido em todo País por sua desenvoltura nas redes sociais.
A aposta da pré-campanha do PSB para reverter a desvantagem em relação à governadora é o apoio de Lula. O impasse é se o presidente irá ao Estado apoiar o ex-prefeito ou se ficará neutro para não prejudicar Raquel, com quem também tem boa relação – essa última opção é defendida, segundo o entorno de Campos, pelo ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).
Como mostrou o Estadão, Lula sinalizou a aliados que pretende dar uma declaração de apoio a Campos nos próximos dias. O entorno de Raquel, contudo, acredita que o presidente não se envolverá na disputa. Uma prévia desse embate político ocorreu no último Carnaval, quando Lula foi ao Recife curtir a festa e posou ao lado de ambos.
Questionado sobre o tema na sexta-feira, 29, o presidente do PT, Edinho Silva, endossou a aliança de Lula com Campos, mas não fechou as portas para Raquel. “Em Pernambuco, o presidente Lula nunca omitiu que seu candidato é o João Campos. Isso para nós está muito claro. Agora, é evidente que nós não vamos nos negar a dialogar com quem quiser apoiar o presidente Lula”, disse ele em entrevista coletiva após um evento da Fundação Perseu Abramo em São Paulo.
Aliados do ex-prefeito de Recife argumentam que Raquel ficou em cima do muro na eleição de 2022 – ela declarou neutralidade e que agora seria apoiada por bolsonaristas. “O verdadeiro palanque dele [Lula] é aqui”, disse o ex-presidente do PSB, Carlos Siqueira (PSB), que participou do mesmo encontro que Edinho. “Lá estão as forças bolsonaristas junto com Raquel”, acrescentou, sem citar diretamente Miguel Coelho, um dos pré-candidatos ao Senado na chapa da governadora e que em 2022 declarou voto em Jair Bolsonaro (PL) e cujo pai foi líder do governo Bolsonaro no Senado.
Sileno Guedes sustenta que o palanque duplo é uma tentativa da governadora “confundir um pouco o posicionamento político dela”.
“Não temos nenhuma dúvida quanto ao palanque do Lula”, disse ele, que também demonstra segurança que Campos conseguirá ultrapassar a governadora na corrida eleitoral. O foco, de acordo com o dirigente partidário, é levar o pré-candidato a todas as regiões do Estado para conversar com o eleitorado.












