Por Ricardo Antunes – A saída do ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), da corrida pelo Governo de Alagoas e sua entrada na disputa pelo Senado mexeu com o xadrez político nacional. A mudança despertou a ira do deputado federal Arthur Lira (PP), que planejava uma eleição tranquila para a Casa Alta e agora encontra um adversário de peso.
A tensão tomou conta dos bastidores da política alagoana. Isso porque JHC e Lira estavam alinhados na oposição à família Calheiros, que terá Renan Filho (MDB) disputando o governo e Renan Pai (MDB), o Senado. Com o recálculo da rota do ex-prefeito, toda a engenharia costurada pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados altera substancialmente e cria um dilema direto para Lira.
JHC, que em 2024 foi o prefeito mais bem votado dentre as capitais do Brasil, avaliou que a estabilidade de um mandato de oito anos lhe traria melhores condições de entrar na disputa ao governo em 2030. Além de oferecer uma vitrine nacional estratégica e com menor desgaste para outros voos que possam surgir pelo caminho. Ele também manteria a liderança forte para segurar seu grupo e agregar novos aliados nesse período.
A decisão do ex-prefeito frustrou os planos de Arthur Lira. Líder nacional do Centrão, mas já sem o poder da caneta de presidente da Câmara dos Deputados, ele acaba prejudicado por uma concorrência direta no mesmo campo político e eleitoral. Ainda mais concorrendo pela oposição, e imaginando que não haja espaço para eleger os dois nomes. Sem contar que a visibilidade de JHC é maior que a sua, pelos quase seis anos à frente da Prefeitura de Maceió, com grande aprovação. E a oposição perde seu candidato mais competitivo ao governo estadual.









