Por Vinícius Sales – A advogada Isabella Pequeno decidiu tornar pública sua identidade e relatou ter sido vítima de uma tentativa de extorsão atribuída ao deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB). Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (4), ela afirmou que denunciou o caso à Polícia Civil de Pernambuco em 2023, após o influenciador se passar por policial militar e alegar que havia descoberto um plano para assassiná-la.
Na época, Isabella enfrentava um histórico de violência doméstica e estava sob medidas protetivas. Segundo seu relato, Emerson apareceu durante uma ocorrência envolvendo seu ex-companheiro, no Recife, armado e usando distintivo. Ele teria se apresentado como sargento da Polícia Militar e alegado ter ligações com a governadora Raquel Lyra (PSD).
No dia seguinte, Emerson teria procurado a advogada para informar que sua morte havia sido encomendada por R$ 90 mil. Isabella afirma que ele também utilizou informações pessoais e patrimoniais de sua família para intimidá-la, chegando a fazer ameaças envolvendo seu filho.
“São 37 minutos gravados de terror. Alguém que se aproveitou da minha vulnerabilidade chegou a dizer: ‘Você não tem medo do seu filho morrer?’”, relatou a advogada, que entregou as gravações à Polícia Civil.
O caso foi investigado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) e ganhou repercussão após reportagem do portal Marco Zero Conteúdo. No início de 2026, Emerson passou a responder a uma ação penal relacionada ao episódio, com acusações de estelionato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Isabella afirmou que a suposta encomenda de sua morte era uma mentira, mas que as consequências foram reais. Ela contou que deixou Pernambuco e voltou a receber ameaças após a repercussão recente do caso.
“A história de que a minha morte havia sido encomendada era falsa. Mas o medo que eu senti foi real. O sofrimento foi real, o adoecimento foi real”, declarou.
A advogada negou motivação política e afirmou que decidiu se manifestar para contar sua versão dos fatos. “Eu não estou aqui para antecipar uma condenação. Isso cabe à Justiça, com todo o direito de defesa e o devido processo legal.”
Prisão e tornozeleira eletrônica
Emerson também responde a uma nova ação penal por suspeita de extorsão. No dia 29 de outubro, a Justiça decretou sua prisão preventiva, após receber denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Na terça-feira (3), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu parcialmente um habeas corpus, condicionando a suspensão da prisão à apresentação voluntária do deputado eleito à Justiça. Entre as medidas cautelares estão o uso de tornozeleira eletrônica, o comparecimento mensal à Justiça e a proibição de contato com vítimas e testemunhas.
A defesa de Emerson, comandada pelo advogado Weryd Simões, questiona a investigação e alega irregularidades no procedimento. O advogado afirmou que pretende estruturar a defesa após analisar integralmente os autos, que, segundo ele, possuem cerca de 700 páginas.
O OUTRO LADO
Nossa reportagem procurou a defesa de Emerson Freitas, mas não obteve retorno. Esta matéria poderá ser atualizada.
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