Da Redação – A defesa de Amisadai Andrade afirmou nesta terça-feira (1º) que o ex-superintendente de Operações da Arena de Pernambuco pode ter sido vítima de uma “armação” nas gravações divulgadas como evidência da existência de um suposto “gabinete do ódio” ligado ao governo de Raquel Lyra (PSD). O advogado Luiz Rocha também confirmou que o Portal de Prefeitura, veículo do qual Amisadai foi sócio, prestou serviços à Prefeitura do Recife, comandada por João Campos (PSB).
As declarações foram dadas em entrevista coletiva após a defesa protocolar uma notícia-crime na Polícia Federal (PF). Rocha afirmou que foram entregues informações como números de telefone, locais e períodos em que teriam ocorrido contatos relacionados ao episódio. A defesa pediu sigilo e solicitou uma perícia nos áudios divulgados.
Durante a coletiva, Rocha foi questionado sobre um vídeo em que João Campos aparece parabenizando Amisadai pelo nascimento da filha. O advogado disse não ter informações suficientes para explicar o contexto da gravação, mas confirmou a relação profissional do portal com a gestão municipal. “Nesta época, o Portal de Prefeitura tinha vínculo com o município do Recife, prestava serviço para o Recife”, afirmou.
Segundo Rocha, a relação de Amisadai com João Campos era, até onde tem conhecimento, profissional. “O relacionamento é eminentemente profissional, que eu tenha conhecimento”, disse. Rocha afirmou que as conversas que deram origem às gravações começaram em 2024, quando Amisadai ainda era sócio do Portal de Prefeitura e não ocupava cargo no governo de Pernambuco.
Segundo o advogado, Amisadai foi procurado por um homem de São Paulo, apresentado na coletiva pelo nome fictício de “Ulisses”, que teria se identificado como integrante do meio político e demonstrado interesse em estabelecer uma parceria para produção e divulgação de conteúdo.
As conversas teriam ocorrido por telefone e em três encontros presenciais no Recife, estendendo-se de 2024 ao primeiro semestre de 2025. Questionado se acreditava que Amisadai havia sido vítima de uma armação, Rocha respondeu que “tudo leva a crer que sim”.
“Tudo leva a crer que sim, porque a conversa foi se esticando ao longo dos meses e chega a um ponto de a pessoa exigir métrica. Ela é uma pessoa do meio, porque quem exige métrica de um portal sabe o que está pedindo”, afirmou.
De acordo com Rocha, Amisadai não sabia que estava sendo gravado. O advogado disse ainda que o interlocutor chegou a solicitar dados de audiência do Portal de Prefeitura e a republicação de uma reportagem para medir seu alcance.
Amisadai deixou a sociedade do portal em setembro de 2024 e assumiu a Superintendência de Operações da Arena de Pernambuco em 1º de abril de 2025, segundo a defesa. A defesa reconheceu que Amisadai utilizou linguagem imprópria e exagerou sua influência no governo estadual durante algumas das conversas. “Amisadai reconhece que se excedeu com uma linguagem imprópria, com falas impróprias, ao tentar demonstrar um trânsito, uma influência no governo que nunca teve”, afirmou Rocha.
O advogado, porém, disse que seu cliente não reconhece todos os trechos divulgados. Por isso, a notícia-crime pede que a PF realize perícia nos áudios e requisite à emissora responsável pela primeira divulgação o material original para verificar eventuais cortes, descontextualizações ou manipulações. “Ele reconhece a impropriedade, ele reconhece o excesso que cometeu, mas algumas das falas que ali estão ele não reconhece”, disse.
Rocha também negou, com base no relato de Amisadai, que ele tenha participado de reuniões com Raquel Lyra para organizar ataques contra adversários. Segundo o advogado, seu cliente esteve no Palácio do Campo das Princesas para tratar de assuntos administrativos e relacionados à Secretaria de Comunicação, mas não teria se reunido diretamente com a governadora para definir estratégias políticas. A Polícia Federal ainda deverá analisar a notícia-crime para decidir sobre a abertura formal de uma investigação.










