Por Vinícius Sales – A população do Ceará enfrenta uma onda de ameaças atribuídas ao Comando Vermelho (CV), que passou a interferir na comercialização de água mineral em diferentes regiões do estado. Comerciantes estão sendo intimidados a pagar taxas ilegais para continuar trabalhando, enquanto moradores enfrentam dificuldades para comprar garrafões de água. A situação afeta bairros de Fortaleza e municípios do interior.
Em Banabuiú, no Sertão Central, as ameaças obrigaram distribuidoras a suspender as atividades. Para garantir o acesso da população à água mineral, o governo estadual precisou mobilizar policiais militares e equipes da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), que organizaram a distribuição do produto sob escolta policial.
Segundo as investigações, integrantes da facção exigiam pagamentos semanais de comerciantes, com valores que chegavam a R$ 750, além de impor restrições à venda de determinadas marcas. Quem descumprisse as ordens poderia sofrer represálias.
O problema também chegou a Fortaleza, onde moradores dos bairros Parque Dois Irmãos, Passaré e Manuel Dias Branco denunciaram dificuldades para comprar água mineral após ameaças contra distribuidores. No interior, municípios como Meruoca e Caridade também registraram denúncias. Em algumas localidades, moradores relataram recorrer a poços, chafarizes e até açudes para conseguir água.
Nesta quinta-feira (5), a polícia cumpriu quatro mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento nas extorsões em Banabuiú, elevando para sete o número de presos. Outros dois investigados, apontados como mandantes, permanecem foragidos no Rio de Janeiro.
Apesar da retomada gradual das entregas em Banabuiú, a crise expõe o avanço das facções criminosas sobre serviços essenciais no Ceará. Além do tráfico de drogas, os grupos são investigados por tentativas de controlar atividades comerciais por meio de extorsões e ameaças, ampliando o clima de insegurança entre moradores e comerciantes.











