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Babá do menino Henry muda depoimento mais uma vez

Por Ricardo Antunes
07/10/2021 - 09:15
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Do G1 – Terminou no início da madrugada desta quinta-feira (7) a primeira audiência sobre o assassinato do menino Henry Borel. A babá do menino, Thayná Oliveira Ferreira, foi a última a ser ouvida e mudou o depoimento mais uma vez. Durante a audiência, Thayná disse que nunca viu Henry ser agredido por Jairinho, apresentando versão diferente dos dois depoimentos anteriores na delegacia. A babá disse que se sentiu manipulada por Monique. Antes de começar a falar na audiência presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro, Thayná pediu para Monique sair da sala.

O ex-vereador Jairinho e a mãe de Henry, Monique Medeiros, são acusados da morte do menino. Ao todo, 10 pessoas foram ouvidas, inclusive o pai do Henry, Leniel Borel.

Segundo a babá, tudo pode ter sido imaginação da sua cabeça. “No meu entendimento era a Monique que me fazia acreditar em muita coisa e por isso a minha cabeça estava transtornada e eu começava a imaginar um monstro, mas ali no quarto poderia não estar acontecendo nada e eu estava imaginando um monte de coisa”.

Thayná ainda disse que se sentiu usada pela mãe da criança. “Me senti usada em que sentido? No sentido de que ela vinha, contava, tentava me mostrar o monstro do Jairinho e eu ficava com todas as coisas ruins na minha cabeça. Era tudo suposição da minha cabeça. Eu nunca vi nenhum ato”, disse a babá.

Em abril, no segundo depoimento à polícia, Thayná afirmou que Monique sabia que o filho era agredido pelo padrasto, Jairinho, e que a mãe da criança pediu que ela mentisse à polícia. Na época, a babá disse que soube de três momentos diferentes em que Henry foi agredido.

‘Me senti usada pela Monique’, diz babá do menino Henry Borel durante audiência

Já na primeira vez que falou à polícia, em março, Thayná disse que nunca tinha percebido nada de anormal na relação do casal com o menino.

Leniel Borel, pai de Henry, também prestou depoimento nesta quarta-feira (6). Ele contou que dias antes de morrer, Henry começou a dar indícios de que não queria voltar ao convívio de Monique e Jairinho após passar tempo com ele. Durante o depoimento, tanto ele como a mãe de Henry, Monique choraram.

“Ele se agarrava ao travesseiro pra não ir embora com ela. Ela começou a me ligar pra pedir ajuda, porque nos fins de semana, ele não queria voltar pra casa, eu conversei com ele. Eu fui falar pro Henry que a mãe tava lá embaixo e ele se agarrou no travesseiro falando ‘Não, papai, não quero ir’. Quando ele viu a Monique, começou a chorar. A avó, dona Rosangela, conversou, chamou ele pra ir na praia. Ela desceu com ele pra praia, e depois foram embora”, conta.

“O dia seguinte foi o primeiro dia de aula do menino. Eu sei que o primeiro dia de aula era difícil para uma criança de quatro anos, e fui pro primeiro dia, ela não me respondeu, cheguei na escola 6h50. Ela chegou umas 7h20, ele estava muito prostrado, acuado, cabisbaixo, eu achei que fosse uma reação à escola”

A situação se repetiu outras vezes e o menino também relatou que o “tio” – Jairinho – o abraçava forte. “No sábado dia 6, eu peguei meu filho na casa do Jairinho, Quando eu peguei ele, ele me disse: papai, eu não quero mais voltar para a casa da minha mãe, não quero. Mas ele não dizia o porquê. Eu liguei pra Monique, ela disse que não tinha nada acontecendo e eu disse: ‘Monique, e se tiver alguma coisa acontecendo?’. Ela disse: ‘Eu mato o Jairo, Leniel!'”.

“Quando eu fui falar com ele que no dia seguinte tinha escola, ele me pediu pra não ir, que por favor não, que no dia seguinte ele iria, e aí eu falei que a gente podia ir pra casa da avó, só que eu já tinha combinado com a Monique. Quando no caminho ele percebeu que estava indo ao encontro da mãe, ele começou a chorar muito e vomitar. Eu falei ‘vai filho, a mamãe é boa’. E ele disse ‘a mamãe não é mamãe boa’. E eu perguntei o que estava acontecendo e ela diz que é uma questão da casa, e pergunta pro Henry se ele quer ajudar a mamãe a achar outra casa. Ele foi, chorando muito. Foi a última vez que vi meu filho”, disse.

As testemunhas começaram a ser ouvidas de manhã. Durante seu depoimento, o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso, disse que o menino Henry Borel chegou morto ao hospital.

“Ouvimos duas ex-mulheres do Jairinho e as duas relataram, com filhos da mesma idade. Ele fazia questão de levar as crianças para passear sozinho. Uma das mães presenciou ele pisando na barriga do garotinho. Um outro menino teve uma lesão bem grave, quebrou o fêmur”, contou.

Sobre agressões de Jairinho a Henry, a delegada disse que as lesões do laudo depois que o menino morreu não são compatíveis com as que se apresentariam caso fossem oriundas de um processo de reanimação.

“Ele já vinha sofrendo uma rotina de violência há mais de um mês, tanto física quanto psicológica. Diante de todos os elementos na investigação, conseguimos chegar à conclusão de que o ato comissivo foi dele.”

A sessão também foi marcada pela discussão entre um advogado de defesa e um promotor, interrompida pela juíza Elizabeth Machado Louro.

O promotor do Ministério Público, Fábio Vieira, e o advogado de Monique Medeiros , Thiago Minagé, discutiram durante o o depoimento do delegado Henrique Damasceno, primeira testemunha ouvida.

Monique chora durante depoimento de Leonel — Foto: Reprodução/TV Globo

A discussão envolveu o advogado de defesa de Monique, que disse que Damasceno estava dando opiniões e não falando sobre os fatos do dia do crime. A juíza precisou intervir para interromper a discussão.

“Aqui não é CPI. Aqui a gente está para ouvir a testemunha. Isso aqui não vai virar circo!”, afirmou a juíza Elizabeth Machado Louro.

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou no início da tarde desta quarta-feira (6) um pedido à advocacia do Senado para que entre com representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza.

 

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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