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Home Política

Bolsonaro diz que sofre “sabotagens” no governo e “muita pressão”: “Luta de poder”

Por Ricardo Antunes
21/09/2019 - 17:28
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Com informações do O Globo

RIO — O presidente Jair Bolsonaro denunciou que sofre“sabotagens” no governo, com ministérios aparelhados e políticos inexperientes que esperavam dele resolver problemas “no peito e na raça”. Em entrevista à revista Veja, publicada na manhã desta sexta-feira, o presidente criticou a influência da esquerda sobre o Ministério da Educação e até o da Defesa.

— É uma luta de poder. Há sabotagens às vezes de onde você nem imagina. No Ministério da Defesa, por exemplo, colocamos militares nos postos de comando. Antes, o ministério estava aparelhado por civis. Havia lá uma mulher em cargo de comando que era esposa do 02 do MST. Tinha ex-deputada do PT, gente de esquerda… Pode isso? Mas o aparelhamento mais forte mesmo é no Ministério da Educação — disse o presidente.

Bolsonaro disse não ser contra os estudos nas escolas e universidades sobre Che Guevara, o guerrilheiro líder da Revolução Cubana, contanto que também se fale aos estudantes sobre o coronel Brilhante Ustra (apontado como torturador durante a ditadura militar). Ele reconheceu, porém, que errou ao nomear Ricardo Vélez para a Educação, sob indicação do guru Olavo de Carvalho.

Na visão do presidente, falta “patriotismo para algumas pessoas que decidem o futuro do Brasil”. Contou que sente uma pressão “muito grande” no cargo, sob as acusações de não ter governabilidade. “Mas o que é governabilidade?”, questionou. Para Bolsonaro, a maioria dos parlamentares já entendeu a mudança de como se faz política em sua gestão.

— Já passei noites sem dormir, já chorei pra caramba também. Angústia, né? Tá faltando o mínimo de patriotismo para algumas pessoas que decidem o futuro do Brasil — relatou. — Imaginava que ia ser difícil, mas não tão difícil assim. Essa cadeira aqui é como se fosse criptonita para o Super-Homem. Mas é uma missão.

Bolsonaro se reúne com os presidentes do Senado, Câmara e STF para propor um pacto pela desenvolvimento do país Foto: HANDOUT / REUTERS

A entrevista à Veja foi atrasada em 15 minutos porque o presidente, sem avisar assessores com antecedência, decidiu prestigiar a sessão solene de homenagem a Carlos Alberto da Nóbrega, na Câmara dos Deputados. Ele foi a pé do Palácio do Planalto até o plenário da Casa para celebrar os 60 anos de carreira do humorista, de quem diz ser fã.

Flávio, Queiroz e Carlos

Durante as duas horas de entrevista, Bolsonaro considerou já ter concluído as promessas de campanha de indicar “um gabinete técnico, respeitar o Parlamento e cumprir o dispositivo constitucional de independência dos Poderes”. O presidente ressaltou o alcance da publicação dos atos de governo nas redes sociais e atribuiu o “sucesso” de engajamento ao filho Carlos Bolsonaro, mas reconheceu a “impetuosidade” do vereador do Rio, responsável por abrir discussões até com aliados do pai e tensionar o Executivo.

— O Carlos tem muita impetuosidade, quer resolver as coisas muito rapidamente. De vez em quando há um atrito entre mim e ele em função da velocidade com que ele quer resolver as coisas — argumentou.

Bolsonaro reconheceu se preocupar com a quebra de sigilo do filho senador Flávio Bolsonaro. “Se alguém mexe com um filho seu, não interessa se ele está certo ou errado, você se preocupa”, explicou.

Ele destacou que soube do caso pela primeira vez ao assistir ao Jornal Nacional, da TV Globo, ao lado do filho deputado Eduardo. Argumentou que os documentos das transações atribuídas a Flávio estão em cartório e disse não ver nada de errado na situação. Reconheceu, no entanto, que há dinheiro de funcionários na conta do ex-assessor Fabrício Queiroz.



— Estou chateado porque houve depósitos na conta dele, ninguém sabia disso, e ele tem que explicar isso daí. Eu conheço o Queiroz desde 1984. Foi meu soldado, recruta, paraquedista. Ele era um policial bastante ativo — contou. — E você sabe que lá no Rio você precisa de segurança. Eu mesmo já usei o Queiroz várias vezes. Então existe essa amizade comigo, sim. Pode ter coisa errada? Pode. Mas tem o superdimensionamento porque sou eu, porque é meu filho.

O presidente negou que o guru Olavo de Carvalho tenha influência no governo, embora tenha sido “pessoa importante” na campanha. Disse que raramente conversa com o ideólogo, a quem defendeu pelas recentes discussões com políticos.

— Quantas vezes eu fui chamado de ladrão, safado, sem-vergonha, homofóbico, racista. Eu fico quieto? Agora, se ele responde às agressões de lá… O Olavo não faz por maldade. Ele, pela idade talvez, quer as coisas resolvidas mais rápido — disse.

Amor eterno ao PSL, sem compaixão por Lula

Sobre o PSL, destacou que a legenda foi criada em março do ano passado e se engajou num “trabalho hercúleo” de buscar pessoas. Segundo o presidente, ele e a equipe foram então “pegando qualquer um” para “quebrar o galho”. Nesta esteira, o chefe do Executivo disse que “muita gente” se elegeu com a estratégia que ele adotou na internet, gente que depois lhe confidenciou estar surpresa por conseguir mandato.

— Por isso o pessoal chegou aqui completamente inexperiente, alguns achando que vou resolver o problema no peito e na raça. Não é assim — ponderou Bolsonaro, que pareceu negar uma futura mudança de partido. — Quando a gente casa, a gente jura amor eterno.

O presidente ressaltou que, caso consiga promover uma boa reforma política, “topa ir para o sacrifício” e não disputar a reeleição. Ele detalhou que não disputaria a recondução ao cargo se o número de parlamentares fosse diminuído para 400.

Questionado sobre as críticas contra ele e seus filhos publicadas nas redes sociais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro relembrou os 15 nos quais ficou preso por publicar um artigo na Veja para defender o aumento de salário de militares. O presidente ressaltou ter sido punido acertadamente e ter “sentido” a reclusão, mas negou ter qualquer tipo de “compaixão” pelo líder petista.

— Mesmo dentro do quartel você sente. Imagine o Lula dentro de uma cela. O cara sente. Ele saiu de uma situação de líder para a de um cara preso, condenado por corrupção. Apesar disso, não tenho nenhuma compaixão em relação a ele. Ele estava trabalhando para roubar também a nossa liberdade — disse.



Tags: Jair Bolsonaro
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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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