Da Assessoria – A ação realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal do Recife acontece nesta terça-feira (26), das 18h às 20h, no terminal do Cais de Santa Rita.
O Cais de Santa Rita, no Centro do Recife, será o local da terceira edição da Vigília pelo Fim do Feminicídio, realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal do Recife. A mobilização acontece nesta terça-feira (26), das 18h às 20h, próximo ao terminal de ônibus, reunindo sociedade civil, parlamentares, movimentos feministas, coletivos organizados, entidades de direitos humanos e todas as pessoas comprometidas com a defesa da vida das mulheres.
Formada pelas vereadoras Cida Pedrosa (PCdoB), Kari Santos (PT) e Natália de Menudo (PSB), a Comissão tem convocado a sociedade a ocupar as ruas todos os meses para denunciar a violência de gênero e cobrar do poder público políticas públicas mais efetivas de prevenção, proteção, acolhimento e responsabilização dos agressores.
A terceira vigília acontece em um momento de alerta ainda maior. Recentemente, vieram à tona denúncias de Delegacias da Mulher que estavam fechadas, justamente quando deveriam garantir acolhimento, escuta e proteção às vítimas. Para a Comissão, esse cenário reforça a urgência de fortalecer a rede de atendimento, ampliar o funcionamento dos serviços especializados e garantir que mulheres em situação de violência não encontrem portas fechadas quando buscam ajuda.

“Não é possível enfrentar o feminicídio apenas com discursos. É preciso garantir delegacias funcionando, medidas protetivas efetivas, acolhimento, orçamento, estrutura e políticas públicas permanentes. A vigília é um chamado à sociedade e também uma cobrança ao Estado: nenhuma mulher pode ser deixada sozinha diante da violência”, afirmou Cida Pedrosa, presidenta da Comissão.
A mobilização também chama atenção para a situação das travestis e mulheres trans, que enfrentam uma das formas mais brutais de violência no Brasil. Embora os dados oficiais específicos sobre assassinatos de travestis e mulheres trans em Pernambuco em 2026 ainda estejam em fase de apuração contínua, o último levantamento da ANTRA — Associação Nacional de Travestis e Transexuais aponta que, em 2025, Pernambuco registrou 7 assassinatos dessa população, sendo o segundo estado com maior número de casos no país. Nos últimos seis anos, o estado contabilizou 83 mortes violentas contra pessoas trans.
A terceira edição da Vigília também contará com a presença da vereadora Atena Beauvoir Roveda (PSOL), parlamentar de Porto Alegre, professora de Filosofia, escritora, produtora cultural e importante liderança na defesa dos direitos humanos, da diversidade e da democracia. Mulher trans, Atena construiu sua trajetória articulando educação, cultura, pensamento crítico e militância social, com atuação ligada à poesia, à cultura popular, ao Slam, à arte drag, ao Hip Hop e aos direitos da população LGBTQIAPN+. Sua presença no Recife fortalece o diálogo entre mandatos, cidades e experiências legislativas comprometidas com o enfrentamento à violência, à transfobia e a todas as formas de discriminação, reafirmando que a luta pelo fim do feminicídio precisa reconhecer e proteger todas as mulheres.
Para a Comissão, falar de feminicídio também exige reconhecer que a violência contra mulheres atinge de forma ainda mais intensa aquelas que vivem múltiplas vulnerabilidades, como mulheres negras, periféricas, pobres, travestis e mulheres trans.
“A violência contra as mulheres não escolhe bairro, idade ou profissão. Ela atravessa a cidade inteira e precisa ser enfrentada com responsabilidade, presença do Estado e políticas públicas que funcionem de verdade. Nenhuma mulher pode sair de casa com medo ou encontrar portas fechadas quando buscar ajuda. A vigília é um ato de denúncia, mas também de compromisso com a vida das mulheres do Recife”, destacou Kari Santos.
A cada edição, a Vigília pelo Fim do Feminicídio reafirma a memória das mulheres assassinadas e denuncia a urgência de ações concretas. A Comissão defende o fortalecimento da rede de proteção, a ampliação dos serviços de atendimento, a garantia do funcionamento das delegacias especializadas, o combate à impunidade e a construção de políticas públicas capazes de impedir que novas vidas sejam interrompidas.
“Não podemos normalizar o medo, o silêncio e a ausência do poder público. Estar no Cais de Santa Rita é levar essa luta para o Centro da cidade, para onde o povo passa, trabalha, circula e vive. Precisamos transformar indignação em mobilização e mobilização em políticas públicas”, afirmou Natália de Menudo.
A Vigília pelo Fim do Feminicídio será realizada mensalmente, sempre na última terça-feira de cada mês, como parte de um calendário permanente de memória, denúncia, fiscalização e mobilização social pelo direito das mulheres à vida.
Serviço
📅 Data: 26 de maio de 2026, terça-feira
🕕 Horário: das 18h às 20h
📍 Local: Cais de Santa Rita, no terminal de ônibus












