Do Revista Gama – Uma camiseta amarela confeccionada em malha, com estampa preta do escudo da Troça Carnavalesca Mista Pitombeira dos Quatro Cantos, agremiação carnavalesca de Olinda, em Pernambuco, e em tamanhos que vão do PP ao GG. Originalmente criada para o Carnaval de 1978, um ano depois do período em que se passa o filme (erro de continuismo?), a peça foi reeditada em 2020 e virou febre depois de vestir Marcelo, personagem de Wagner Moura, em duas cenas de “O Agente Secreto” (2025). Ambientado em cenários icônicos do Recife de 1977, o filme vai além das bilheterias ao conquistar visibilidade internacional — com dois Globos de Ouro e outros 47 prêmios em festivais no Brasil e pelo mundo —, o que também impulsiona as vendas da vestimenta da agremiação.
Os estoques da camiseta Pitombeira chegaram a se esgotar e já garantem recursos para os próximos dois carnavais da troça de Olinda. Diante da alta demanda, a Pitombeira decidiu manter a produção controlada e reorganizar os planos para o Carnaval: o desfile de 2026 será inteiramente dedicado a “O Agente Secreto”. A agremiação já tinha outro tema definido, mas optou por adiar o projeto para aproveitar o momento e não deixar passar em branco a conexão com o cinema. A repercussão é tanta que até o presidente Lula já tem uma camiseta para chamar de sua, presente de Maria das Graças, presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc).
QUEM FEZ
Desde 2023 reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco, a Pitombeira dos Quatro Cantos nasceu em 1947, quando um grupo de amigos resolveu sair pelas ruas de Olinda batucando em latas e pandeiros e cantando durante o Carnaval. A ideia surgiu em um bar no cruzamento dos Quatro Cantos, um dos locais mais célebres de Olinda. No cortejo, os galhos de uma pitombeira próxima viraram adereço improvisado, dando nome à troça, oficializada no ano seguinte. Foi no fim dos anos 1970, período considerado o auge da Pitombeira, que a camiseta se consolidou como símbolo — em 1978, sua venda ajudou a financiar desfiles mais elaborados e acompanhou o crescimento do Carnaval de rua em Olinda.
O modelo original era branco, trazia o nome da Pitombeira e o ano de 1978 estampados em preto, além do escudo pintado de amarelo. Décadas depois, em 2020, a peça foi reeditada pela primeira vez, agora restrita ao amarelo e preto, cores tradicionais do bloco. Segundo o presidente da troça, Hermes Neto, a decisão levou em conta não só o visual, mas também razões afetivas, ligadas à memória de seu pai, ex-presidente da Pitombeira, que costumava vestir a camisa original. Esse último desenho acabou servindo de referência para o figurino de “O Agente Secreto”, que suprimiu o ano da peça, já que o filme se passa em 1977.

POR QUE É TÃO DESEJADA
Porque une a nostalgia dos anos 70 e a energia da folia ao orgulho do cinema nacional do momento. Sem falar que ela lembra o carisma de Wagner Moura — quem não deseja ter o molho do baiano? —, com cultura, estilo e autenticidade. No longa de Kleber Mendonça Filho, a camiseta aparece em cenas que ajudam a situar a narrativa no Recife dos anos 1970, exaltando símbolos e tradições pernambucanas. Filmado em locações da capital, o longa incorpora essas referências à sua construção estética e política e atrai quem se identifica com a história e os símbolos locais.
VALE?
Se você quer apoiar a cultura popular e curte um estilo retrô, sim. Cerca de 40% dos recursos do clube vêm da venda de artigos, então “cada camisa vendida ajuda a manter a tradição viva”, como anuncia um vídeo divulgado pela própria Pitombeira. A peça, que perdura há cinco décadas, funciona tanto no uso casual quanto para acompanhar um cortejo — os próximos da Pitombeira estão marcados para 16 e 17 de fevereiro, no Carnaval de Olinda. É também uma boa opção de look para acompanhar o Oscar, que será transmitido em um Funfest promovido pela Pitombeira, com direito a frevo e muita celebração pelo longa de Mendonça Filho. Vale também consumir outros produtos dos carnavalescos: “Eu queria que esse reconhecimento, como o que o filme nos trouxe, abraçasse todas as agremiações. Para mostrar como somos importantes na cultura popular brasileira”, disse o presidente da troça, Hermes Neto.
ONDE COMPRAR?
Atualmente, a camiseta tem fila de espera, com pedidos vindos de todo o Brasil. Um novo lote está prometido para esta quinta-feira (22). Por R$ 60, é possível comprá-la no site oficial da Pitombeira ou no site do Espaço de Cultura Popular. Para quem é de Olinda e prefere evitar o frete, a peça também está à venda na sede da Pitombeira e no Espaço de Cultura Popular, no Shopping Patteo Olinda (piso L2). Outra opção é a versão oversized da camiseta, que custa R$ 182 e é vendida no site da loja colaborativa A Mulher do Padre.











