Com informações de Isabel Mega/CNN – A campanha da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) e à Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco (PRE-PE) documentos que apontam a suposta atuação de uma rede de perfis falsos nas redes sociais, com disseminação de fake news e uso de robôs em ataques coordenados.
Nas representações encaminhadas aos órgãos, o PSD de Pernambuco sustenta que os conteúdos foram impulsionados para favorecer o principal adversário de Raquel na disputa pelo governo estadual, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), enquanto atacavam a governadora.
Segundo a campanha, foram analisados 535 perfis, dos quais praticamente todos apresentavam publicações críticas a Raquel Lyra e favoráveis a João Campos.
O partido afirma ainda que as próprias plataformas digitais identificaram irregularidades e suspenderam, removeram ou apagaram quase 90% das contas catalogadas. Para a campanha, a exclusão em massa reforça a suspeita de que os perfis eram falsos.
Entre os indícios apontados estão a reprodução literal de um mesmo texto em diferentes contas, características típicas de perfis descartáveis, vestígios de geração automática de conteúdo e sincronização no envio de comentários em publicações.
Também chamaram a atenção, segundo a campanha, contas criadas no mesmo dia e que passaram a interagir simultaneamente com os mesmos acontecimentos, o que levantaria a hipótese de ativação em lote de perfis previamente preparados.
Em um segundo levantamento, a campanha de Raquel afirma ter identificado pessoas ligadas ao ex-prefeito do Recife como responsáveis pela criação de uma estrutura profissional voltada à disseminação de conteúdos contra a governadora.
O PSD sustenta que a rede envolveria pessoas vinculadas ao PSB nos poderes Executivo e Legislativo, além de um escritório de advocacia que, segundo o partido, faria a defesa jurídica dos perfis investigados. O levantamento também aponta que linhas de telefone registradas em nome de supostos laranjas teriam sido utilizadas para cadastrar contas nas redes sociais.
Entre os perfis mencionados está um grupo de contas que, segundo o PSD, foi registrado com um número de telefone atribuído a Wladmir Quirino. De acordo com a campanha, essas contas foram utilizadas durante a eleição de 2022 e já haviam sido alvo de questionamentos na Justiça. Quirino ocupou cargos em administrações municipais do PSB em Pernambuco.
A campanha afirma ainda que, em 2026, o mesmo número de telefone foi utilizado para registrar o perfil @joaocamposplatinado, atualmente inativo. Segundo o partido, o acesso à conta era feito por um endereço de IP vinculado ao telefone de Rosineide Maria da Silva, apontada pelo PSD como integrante da suposta rede de ataques. A legenda afirma, contudo, que ela teria sido utilizada como laranja.
Procurado pela coluna, Wladmir Quirino não comentou o caso.
Na ação protocolada no TRE-PE, a campanha pede, em caráter de urgência, que o Facebook e a operadora Claro sejam oficiados para fornecer dados e preservar informações relacionadas aos perfis e às linhas telefônicas citadas, com o objetivo de evitar a destruição de provas reunidas durante a investigação conduzida pela campanha.
“O que se encontra em risco é a própria possibilidade de verificar se o pleito de 2026 está sendo influenciado por uma estrutura organizada de atuação digital anônima, coordenada e eventualmente financiada. A impossibilidade de identificar seus responsáveis, reconstruir seu funcionamento e apurar eventual custeio compromete diretamente a normalidade e a legitimidade das eleições”, afirma um trecho da ação.
À Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco, o PSD também apresentou pedido de instauração de procedimento investigatório para apurar possíveis vínculos da suposta estrutura com o PSB de Pernambuco.









