Do Metrópoles – A disputa pelo Palácio do Planalto deixou de ser um debate interno e passou a extrapolar as fronteiras brasileiras.
A pouco mais de dois meses das eleições, chefes de Estado estrangeiros atuam, mesmo que de forma indireta, na corrida presidencial de 2026.
Nas últimas semanas, Donald Trump e Javier Milei mostraram apoio ao candidato Flávio Bolsonaro, embora Trump não tenha oficializado sua adesão. Por outro lado, Xi Jinping expressou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva em meio à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Aproximação entre Trump e Flávio
O primeiro movimento partiu dos EUA. A aproximação entre Trump e Flávio depois do encontro na Sala Oval, onde também participaram o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o youtuber bolsonarista Paulo Figueiredo, tornou-se um dos principais ativos da pré-campanha do senador — que já oficializou a candidatura.
A estratégia ganhou força após os EUA classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas. O cenário político favorável a Flávio, porém, mudou com o “duplo tarifaço” imposto por Trump a produtos brasileiros.
O duplo tarifaço de 37,5% reúne duas tarifas impostas pelos EUA sobre o Brasil em neste mês de julho. A base governista passou a responsabilizar Flávio pelas tarifas, acusando o senador de articular com Trump.
A ofensiva ainda deu força aos aliados de Lula, que passaram a associar Flávio aos impactos econômicos da medida e apelidaram as tarifas de “Tariflávio”.
Por outro lado, aliados do senador afirmam que as medidas são consequência da condução da política externa e de decisões institucionais do governo Lula e do Judiciário.
Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (27/7) revela que a maioria do eleitorado brasileiro interpreta o tarifaço de 37,5% imposto ao Brasil pelo presidente norte-americano como um gesto de apoio político direto ao senador.

Milei sobe ao palanque de Flávio
Dias depois, Javier Milei ampliou a participação de líderes estrangeiros na eleição brasileira. O chefe do Executivo viajou para São Paulo para participar da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio.
No evento, o presidente argentino fez ataques ao presidente Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, além de ter criticado o governo petista. Também chamou Moraes de “lixo” após o ministro manter a decisão que impediu uma visita do argentino ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
As declarações de Milei, no entanto, desencadearam uma nova crise diplomática.
O Itamaraty convocou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, enquanto o presidente do STF, ministro Edson Fachin, repudiou as falas. Por outro lado, o governo argentino informou que não pretende apresentar um pedido formal de desculpas.
Xi reforça discurso de Lula
Na direção oposta, Lula recebeu um gesto político do presidente chinês, Xi Jinping.
Em conversa por telefone, o líder chinês manifestou apoio ao Brasil diante das pressões externas e defendeu o respeito à soberania brasileira durante a escalada da tensão com os Estados Unidos.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que a China se opõe a qualquer forma de interferência nos assuntos internos de outros países e reiterou o interesse em ampliar a cooperação bilateral com o Brasil, principal parceiro comercial chinês na América Latina.
As eleições de 2026 serão realizadas em 4 de outubro. O eleitorado brasileiro vai às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais e distritais.
Caso nenhum candidato à Presidência ou aos governos estaduais alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.









