Do UOL – O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, disse que “não haverá vingança nem omissão” contra STF (Supremo Tribunal Federal), após reunião com o presidente da Corte, Edson Fachin, hoje.
O que ele disse
Marinho apontou “intervenção continuada” do Judiciário na disputa eleitoral. Ele citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. “É extremamente claro o aparelhamento do Estado”, afirmou, após o encontro.
Não haverá vinganca dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão.
Havíamos feito esse pedido de audiência há 30 dias atrás na condição de líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Foi até bom que houvesse esse intervalo. porque o que nós tínhamos de preocupação naquela época, na verdade, recrudesceu. Nós estamos assistindo uma espécie de intervenção continuada na justiça especializada, no caso, a justiça eleitoral, por parte de alguns ministros do Sistema Federal, como o ministro Gilmar Mendes e o ministro Flávio Dino. E como havia feito no início deste ano o ministro Alexandre de Moraes.
Nós queremos reconstruir o país, queremos normalizar a relação entre os Poderes, queremos que a separação seja de fato. Não é possível que a sociedade tenha a percepção de que o Judiciário é a extensão do modelo que faz mal à democracia brasileira.
Marinho disse que não descarta conversar com Moraes e Dino após a eleição, mas que eles estão atuando com “viés político”. “Vejo que o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino têm se comportado nos últimos tempos claramente com viés político. Eu acho que política é para os políticos”, disse. “A minha preocupação é com a interlocução com o Judiciário. Não me nego a conversar com eles, mas eu acho que nesse momento vou deixar passar o processo eleitoral para procurá-los oportunamente, se for o caso. Mas, quando passar o processo, porque hoje parece que claramente o viés político tem dominado as ações desses dois senhores.”
A líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT), também vai se encontrar com Fachin hoje. Deve tratar de “relação institucional”. Segundo a assessoria de Fachin, o convite para o encontro partiu do presidente do STF.
Judiciário no centro da disputa eleitoral
Encontros ocorrem dois dias após onda bolsonarista no primeiro turno das eleições de 2026. O PL, partido de Flávio, conquistou a maior bancada do Senado e da Câmara, elegendo parlamentares que defendem o impeachment de ministros da Corte.
Ontem, o presidente Lula afirmou que está “carregando nas costas” “promiscuidade” no STF. O petista se referiu a revelações de que ministros do Supremo tiveram relações próximas com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A declaração foi dada durante a primeira reunião da coordenação de campanha após o resultado do primeiro turno, que terminou com Flávio à frente do petista.
Fachin disse que “conjunturas se alternam”, mas STF seguirá firme. “Conjunturas se alternam, gerações se sucedem, os desafios mudam de roupagem. O tribunal é maior do que tudo e do que todos, e ele permanecerá”, afirmou Fachin na abertura de evento realizado na sede do STF, sobre os 38 anos de Constituição, ontem.











