Da Redação – O número de pessoas que denunciam o desaparecimento de animais deixados em um lar temporário pago no Recife aumentou desde o início das denúncias.
Inicialmente, quatro vítimas relatavam o desaparecimento de cerca de 25 animais. Agora, o grupo reúne mais de 20 vítimas e contabiliza mais de 40 animais que desapareceram enquanto estavam sob responsabilidade do estabelecimento.
Um dos casos é o da cadela Maitê, resgatada por um projeto social e posteriormente levada ao espaço. Assim como outros tutores, os responsáveis pelo animal passaram a questionar o paradeiro dos cães, depois que surgiram denúncias de supostos maus-tratos no local.

Segundo as vítimas, os responsáveis pelo estabelecimento deixaram de responder às tentativas de contato ou bloquearam clientes nos canais de comunicação. Outros tutores teriam recebido a informação de que os animais haviam sido adotados, não receberam comprovantes dessas supostas adoções. O grupo relata ainda casos em que imagens geradas por inteligência artificial teriam sido utilizadas para comunicar a suposta adoção dos animais.
As primeiras denúncias de maus-tratos surgiram em março. No mês seguinte, um grupo de vítimas, acompanhado da advogada que acompanha o caso, procurou a Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma) e registrou boletins de ocorrência. Ainda em abril, foi instaurado um inquérito policial, que tramita sob sigilo.
Desde então, novos relatos foram registrados e a orientação dada aos tutores tem sido formalizar cada caso por meio de boletim de ocorrência. Os relatos, no entanto, não se restringem ao desaparecimento dos animais.
Há denúncias de tutores que continuavam pagando mensalidades enquanto, seus animais já haviam morrido sem que fossem comunicados. Outros afirmam que os animais fugiram do local. Também há relatos de cães que permaneceram por períodos curtos no estabelecimento e teriam retornado doentes.
O grupo afirma ter levado os diferentes relatos às autoridades e também ter realizado denúncias ao Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Entre as alegações apresentadas está a ausência de um responsável técnico no estabelecimento.
Em agosto, diante da demora nas providências e da permanência do estabelecimento em funcionamento, as vítimas decidiram ampliar a mobilização nas redes sociais. Um perfil foi criado para reunir os relatos e buscar apoio da população (@ondeestaonossosanimais). A iniciativa fez com que novos tutores procurassem os responsáveis pela mobilização e relatassem situações semelhantes.
Na semana passada, as vítimas também realizaram uma manifestação em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O grupo fez uma caminhada da região da pracinha de Boa Viagem até o Parque Dona Lindu para chamar a atenção para os casos e cobrar providências das autoridades.

As vítimas afirmam que a proprietária do estabelecimento apresentou diferentes versões para explicar as denúncias. Inicialmente, ela teria atribuído as acusações à suposta inveja de concorrentes. Posteriormente, teria afirmado que uma ex-funcionária, após deixar o local, seria responsável por criar a situação. Mais recentemente, a proprietária passou a afirmar que os animais estão vivos, mas que não seriam devolvidos porque estariam sujeitos a maus-tratos caso retornassem aos tutores.
O grupo contesta as justificativas e afirma que elas não respondem às perguntas sobre o paradeiro dos animais desaparecidos nem explicam os casos de animais que teriam sido encontrados mortos. O caso segue sob investigação das autoridades responsáveis.
Até a publicação, não havia, segundo as informações apresentadas pelas vítimas, uma resposta conclusiva sobre o paradeiro dos animais desaparecidos ou sobre as demais denúncias relatadas.











