Por Ricardo Antunes – A Polícia Federal encontrou documentos que atestam a corrupção praticada pelo ex-secretário de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife, João Guilherme de Godoy Ferraz (PSB). Os agentes apreenderam oito canhotos de talão de cheques, nos quais dizem ser “evidente” o pagamento de propina feito pelo socialista, que está foragido da Justiça desde 4 de setembro.
Na última sexta-feira (25), agentes realizaram nova tentativa de busca e apreensão no endereço de Ferraz, apontado pelas investigações como um dos “operadores” de vários esquemas da Prefeitura do Recife, nas gestões de Geraldo Júlio (PSB) e João Campos, atual candidato a governador pelo mesmo PSB.
Através de análise bancária, os policiais confirmaram que os cheques foram sacados por Deyvid Alexandre de Lima Souza, descrito como “testa de ferro” do empresário Paulo Correia Pinto Filho, fundador da empresa Pernambuco Conservadora. “Chama a atenção que a propina foi paga durante o auge da pandemia de Covid-19, momento de grave comoção nacional”, diz o relatório da PF.
A empresa teve contratos com a Prefeitura do Recife durante a pandemia, e alguns empenhos foram pagos em datas próximas ao pagamento da propina. “É evidente que estamos diante de prova concreta da prática do crime de corrupção praticado por ex-servidor da Prefeitura do Recife, possivelmente João Guilherme de Godoy Ferraz, e de corrupção ativa praticada por Paulo Correia Pinto Filho, com participação de Deyvid Alexandre de Lima Souza”, prossegue o relato.
Ex-todo-poderoso das gestões do PSB, João Guilherme de Godoy Ferraz teve mandado de prisão expedido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) em 4 de setembro. Ele foi um dos principais investigados da Operação Check-in, da Polícia Federal (PF). A suspeita era de que Ferraz tenha recebido propina da Pernambuco Conservadora, empresa de terceirização contratada pela Prefeitura do Recife em 2020, quando Ferraz ainda era secretário municipal de Geraldo Julio.
A investigação foi realizada a partir de achados da Operação Firenze, ocorrida há um ano, em torno de um grupo de três empresas terceirizadas. Na operação, canhotos de cheques identificaram supostos pagamentos de propina ao ex-secretário da Prefeitura do Recife.
O cartel investigado seria liderado pela Solserv Terceirização e também incluiria a Pernambuco Conservadora, a RC Serviços & Conservação e a MA7 Securitizadora. Somente a Pernambuco Conservadora recebeu R$ 25,7 milhões da Prefeitura do Recife em 2020, sendo R$ 17 milhões pagos com recursos do SUS, daí a atuação da Polícia Federal.
Do montante, R$ 2 milhões foram pagos por meio de contrato entre a empresa e a secretaria chefiada por Godoy Ferraz. Na gestão de João Campos, a empresa já faturou mais de R$ 125 milhões.
Ele também foi investigado na Operação Apneia, da PF, que apurou irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia.
João Guilherme Ferraz foi um dos principais articuladores políticos da gestão do PSB no Recife e atuava como um dos principais auxiliares de Geraldo Julio. A ligação com João Campos também é anterior à atual gestão. Ferraz integrou a estrutura da Prefeitura do Recife durante os dois mandatos de Geraldo Julio, primeiro como chefe do Gabinete de Projetos Especiais, entre 2013 e janeiro de 2019, e depois como secretário de Governo e Participação Social, de janeiro de 2019 até o fim da gestão, em 2020. Na transição para o governo de João Campos, deixou a administração direta, mas, segundo informações apuradas, manteve influência e interlocução nos bastidores da gestão municipal.
O ex-secretário também é um dos investigados da Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público de Pernambuco, que apura um suposto esquema envolvendo empreiteiras. De acordo com informações daquele inquérito, João Guilherme Ferraz teria atuado para contratar empreiteiras de um de seus melhores amigos, o empresário Gustavo Muniz, para realizar manutenção predial em praticamente todos os equipamentos públicos da Prefeitura, de escolas a postos de saúde, incluindo o prédio-sede da administração.
Mais de R$ 200 milhões teriam sido movimentados em três anos. O inquérito está trancado por decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do advogado do diretório nacional do PSB. O caso nem chegou a ser sorteado, mas foi impetrado diretamente no gabinete do ministro.
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