Blog do Ricardo Antunes
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Blog do Ricardo Antunes
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião
Home Cultura

Em cartaz no cinema e parecido com outras produções recentes, “Medusa” ainda assim é um filme interessante

Por Redação
27/03/2023 - 16:52
“Medusa” está em cartaz, em sessões diárias em alguns lugares no Recife

“Medusa” está em cartaz, em sessões diárias em alguns lugares no Recife

WhatsAppTweetarCompartilharEnviar por Email

Por Luiz Afonso Morêda – “Medusa” é um filme brasileiro de horror dirigido pela carioca Anita Rocha da Silveira. Estreou em 2021 numa sessão especial no Festival de Cannes, na França, mas como é de costume no Brasil, só foi lançado comercialmente no país agora, dois anos depois. É um filme que narra o processo de emancipação intelectual e social de Mari (Mari Oliveira), uma moça aglutinada em seu grupo de amigas, extremistas/terroristas religiosas.

Dito de outra maneira, o filme conta a história de uma moça, Mari, que vive numa pequena cidade do Sudeste do país. Ela vive numa família estranha, que o filme não nos mostra claramente, mas que é composta apenas de mulheres, e faz parte de um grupo de meninas, extremamente evangélicas, que cantam na igreja, promovem os “bons costumes”, e, à noite, saem na rua caçando mulheres devassas, espancam essas vítimas e publicam na internet.

É um filme político, de forma muito sagaz atento a certas questões próprias da realidade brasileira no momento, algo que nos últimos tempos tem sido presente em todos os projetos de longa-metragens contemplados com um orçamento considerável. A melhor amiga de Mari, em certo sentido uma má influência, uma pessoa amarga, nefasta e egoísta, que é a líder do grupo de meninas, chama-se Michele (Lara Tremouroux). Qualquer semelhança com aquela figura pública presenteada com as jóias milionárias não é mera coincidência.

Aliás, um dado curioso do filme é que a maioria do elenco principal é formada por mulheres, o único papel principal sendo o pastor, que como não poderia ser diferente, coordena o grupo de mulheres submissas ao patriarcado, interpretado por Thiago Fragoso.

Mas afinal trata-se de um filme, e é interessante como ele consegue delinear um universo próprio a partir de suas especificidades. O grupo de meninas é obcecado por uma lenda urbana que permeia a cidade: são loucas para encontrar o paradeiro de Melissa (Bruna Linzmeyer), uma linda jovem “devassa”, “libertina”, que um dia teve seu rosto ateado em fogo, deformado, e depois disso desapareceu.

É a partir desse mito fundador que Anita Rocha compõe o mundo da obra, que é um que foge de uma tendência naturalista e se aproxima do campo do fantástico, com luzes estranhas e coloridas em cena, ambientes não tão fáceis de reconhecer. Nesse sentido, “Medusa” encontra-se distante de filmes como “Marte Um” (2022) e “Mato Seco Em Chamas” (2022), e muito mais próximo de Divino Amor (2019) e Sol Alegria (2018). Como numa distopia, há um quê de bizarro na vida dessas personagens, mulheres aparentemente burguesas, que se esforçam a todo custo para se manter nos padrões de “belas, recatadas e do lar”, em cenários histriônicos que parecem casas de bonecas.

É também, em certo sentido, muito parecido com Bacurau (2019), longa de sucesso do diretor recifense Kléber Mendonça Filho. Possui um apelo social muito forte, que vende o filme como indispensável socialmente, e trabalha com um formalismo, com referências estéticas pontuais, possui um mínimo de consciência fílmica, por assim dizer. É uma questão incomum no cinema brasileiro hoje, cenário em que a forma costuma ser reduzida a um acessório à questão social, ao enredo.

Tanto o filme de Anita Rocha, quanto o de Kléber Mendonça, no entanto, ainda que se situem acima da maior parte do que é feito em termos de cinema comercial no país, são experiências um tanto rasas. São obras que se conformam com uma ou outra referência — em ambos os casos John Carpenter (“Halloween”, “Eles Vivem”) parece um nome presente — mas que vão muito pouco além disso, não chegam a propor uma ideia de filme, uma forma de tratar as referências que possuem.

No caso de “Medusa”, é interessante a emancipação da protagonista, acima de tudo, pois a diretora entende que a moral permeia a estética, e vice-versa. As pessoas que são perseguidas pelas “recatadas” possuem aparências plurais, diferentes, e então, no decorrer do filme, quando Mari começa a se dar conta da toxicidade do ambiente em que se encontra, a sua aparência, outrora tão comedida e adequada à padrões, vai se tornando, também, livre, original. A filiação do filme com o gênero de horror traz um dos grandes momentos da obra, na catártica cena final, quando um certo gesto, próprio desse tipo de filme, é recontextualizado, e reconfigurado de acordo com as especificidades de “Medusa”.

De qualquer forma, tem sido legal assistir a produções recentes de longas brasileiros. Ainda que os grandes filmes permaneçam escassos, ver uma obra brasileira, erguida com nossos próprios recursos, minimamente bem acabada, com um mínimo de consciência estética e formal mostra, ao menos, um cenário otimista pela sua fertilidade. E isso deve ser suficiente para atrair espectadores, que tenham um mínimo de curiosidade para saber, sem preconceitos, o que é produzido no nosso país em termos de cinema.

“Medusa” está em cartaz, em sessões diárias, no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, nas salas do Porto Digital e do Museu do Homem do Nordeste.

___________________________________________
*Luiz Afonso Morêda é ex-estudante de jornalismo e atualmente estudante de cinema, em São Paulo. Faz parte da revista de cinema Vertovina, e já teve textos publicados em outros veículos especializados. Atuou como curador de mostras, além de produzir e realizar filmes.

EnviarTweet20Compartilhar31Enviar
Redação

Redação

Matérias Relacionadas

Drauzio Varella pode se tornar o novo imortal da ABL

Drauzio Varella formalizará candidatura à Academia Brasileira de Letras

Por Ancelmo Gois, de O Globo - Drauzio Varella vai apresentar sua candidatura à vaga aberta na Academia Brasileira de Letras com a morte, na última terça-feira (22),...

Poemas de Severina Branca estão disponíveis  no YouTube

Obra da poeta pernambucana Severina Branca ganha audiolivro gratuito no YouTube

Da Redação - A poesia de Severina Branca, poeta pernambucana nascida no Sertão do Pajeú, ganhou uma nova forma de circulação com o audiolivro gratuito de “Enquanto render...

Cantor leva bonecos de carnaval ao Sunset e faz o público dançar em noite de sábado

João Gomes encanta público do Rock in Rio com apresentação de cortejo nordestino

Do Globo - Um cortejo carnavalesco tipicamente pernambucano esquentou o monte de povo que se acotovelava na frente do Palco Sunset - isso, ainda com J Balvin rolando no...

Elton John leva clássicos e emoção ao Rock in Rio em possível despedida dos palcos

De O Globo - Raios e trovões! Mas a chuva não voltou, calma. Foi o telão anunciando a chegada de Sir Elton John e sua banda, atração principal...

Morte de Laura Cardoso foi divulgada por sua família no Instagram

Laura Cardoso, ícone da televisão brasileira, morre aos 98 anos

Do UOL - A atriz Laura Cardoso, uma das pioneiras da televisão brasileira e dona de uma carreira histórica que atravessou décadas, morreu aos 98 anos hoje (18)....

Carregar Mais
Próximo Artigo
O secretário Guilherme Cavalcanti e o novo diretor do Porto, Delmiro Gouveia

Desafios do Porto do Recife são grandes, diz secretário de Desenvolvimento Econômico

Por favor, faça login para comentar

Camaragibe

Ipojuca

RELACIONADOS

A determinação foi feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) após identificar falhas na segurança de crianças e adolescentes

Discord terá transmissões ao vivo suspensas no Brasil para proteção de menores

Bernadete Pacífico, uma líder quilombola de 72 anos foi coordenadora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).

Líder quilombola Mãe Bernadete é assassinada na Bahia

Complexo Eólico Serra da Palmeira, na Paraíba

Transformador gigante chega à Paraíba para impulsionar um dos maiores parques eólicos do Brasil

Blog do Ricardo Antunes

Ricardo Antunes - Debates, polêmicas, notícias exclusivas, entrevistas, análises e vídeos exclusivos.

CATEGORIAS

  • Brasil
  • Ciências
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Esportes
  • Eventos
  • Internacional
  • Justiça
  • Opinião
  • Pernambuco
  • Política
  • Sport
  • Tecnologia

ASSUNTOS

Alexandre de Moraes Bolsonarismo Brasília Carnaval Coronavírus corrupção Covid-19 destaque Eleições Eleições 2020 Eleições 2022 Eleições 2026 Esporte EUA Fernando de Noronha Flávio Bolsonaro Futebol Internacional Investigação Jair Bolsonaro João Campos Justiça Lava Jato Marília Arraes Olinda operação Paulo Câmara Pernambuco PL polícia cívil Polícia Federal PSB PSDB PT Raquel Lyra Ricardo Antunes Rio de Janeiro Saúde Senado Sergio Moro STF São Paulo União Brasil Vacina Violência

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Últimas Notícias
  • Política
  • Justiça
  • Brasil
  • Pernambuco
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura & Eventos
  • Opinião

Termos de Uso, Privacidade e Cookies
© 2016–2026 — Ricardo Antunes — Todos os direitos reservados.
Site administrado por FACTO COMUNICAÇÃO & MARKETING LTDA — CNPJ 40.797.095/0001-30 — Contato: ricardo@ricardoantunes.net

Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.