Do UOL – O empresário Ivo Vel Kos, 48, virou réu ontem por lesão corporal e ameaça. Na mesma decisão, a Justiça de São Paulo também autorizou a dentista Giullia Falcão, 27, a retornar para a própria casa. Após ser agredida pelo marido, na noite do último dia 14 de agosto, a mulher afirmou que a fechadura do imóvel foi trocada pela família do acusado.
Tribunal negou o pedido da defesa para converter a prisão preventiva do empresário em domiciliar. Ivo está preso no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros. Justiça concedeu medidas protetivas de urgência à vítima. Na decisão, a juíza determinou a restituição de bens pessoais e do veículo de propriedade dela.
A dentista pretende retornar ao imóvel hoje, na companhia de seus advogados. Em entrevista ao UOL, a mulher afirmou que recebe a decisão com muita felicidade. “Porque, na verdade, é minha casa também. Eu tava sem teto, desabrigada, sem ter para onde ir”, disse.
Giullia explicou que vai trocar novamente todas as fechaduras do imóvel. Após sair do hospital, horas após as agressões, ela havia sido proibida de entrar na casa onde morava com Ivo. “Eu saí do hospital e fui lá [na casa]. Meus sogros proibiram minha entrada, e o chaveiro estava trocando a fechadura”, disse.
Ela teme pela sua segurança e, por isso, pretende contratar um segurança e demitir os funcionários. “São cúmplices desse esquema de agressão. Essa vitória chegou, mas não é perto do que a gente precisa. O crime ainda está classificado como lesão corporal, mas foi uma tentativa de feminicídio”, afirmou.
Empresário virou réu
Ivo virou réu por lesão corporal e ameaça. O indiciamento ocorreu logo após a prisão do empresário pelos crimes. “A Polícia Civil esclarece que, por se tratar de uma prisão em flagrante, o caso foi imediatamente comunicado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, conforme prevê a legislação”, afirmou a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo).
O segurança flagrado ajudando o empresário a levar a cirurgiã-dentista para dentro da residência durante as agressões não é investigado. Segundo a SSP-SP, “não há investigação instaurada em relação às demais pessoas envolvidas na ocorrência” até hoje. Porém, a pasta indicou que eventuais desdobramentos “dependerão da análise dos fatos pelas autoridades competentes”.
O advogado Fabio Fajolli afirmou ao UOL que a defesa tem três frentes de atuação. A primeira é o trabalho para a alteração da tipificação penal, pela qual o empresário foi indiciado, para tentativa de feminicídio e ameaça. A segunda é a responsabilização dos familiares de Ivo, que bloquearam o acesso da cirurgiã-dentista à residência do casal após o episódio.
Por fim, a defesa da vítima busca a responsabilização dos seguranças que “se omitiram e participaram do que aconteceu”, acrescentou Fajolli. O defensor apontou a presença de dois seguranças no caso e há informações iniciais sobre a participação de um terceiro.
Agressões começaram no carro
O empresário Ivo Kos foi preso na madrugada de sábado (15), em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Ele é acusado de ter agredido a mulher na volta de um jantar com clientes. Giullia Falcão usou as redes sociais para falar sobre o caso. Ela aparece nas imagens com o rosto bastante machucado, com os olhos e lábios inchados, além de ferimentos no nariz.
Após passar a noite internada no hospital, a vítima afirmou que a fechadura da porta de sua casa havia sido trocada. Ela acusou os familiares de Ivo Kos de impedir a sua entrada. “Como se eu oferecesse algum perigo”, disse, ainda com o rosto bastante machucado.
Segundo o relato prestado à polícia, o casal discutiu ainda dentro do carro, e Ivo teria dado socos na esposa. A dentista afirmou que reagiu para se defender. Ao chegarem à rua onde moravam, Giullia contou que se recusou a entrar na residência, mas foi puxada pelo empresário para dentro do imóvel com a ajuda de um segurança da região.
As agressões continuaram dentro da casa, disse Giullia. Ivo teria usado um taco de beisebol para golpeá-la na mão, além de ameaçá-la com uma arma de choque e tomar seu celular. Giullia afirmou ainda que o marido disse que a mataria caso ela saísse para a rua.
Na versão de Ivo que consta no boletim de ocorrência, ele diz que Giullia estava sob efeito de álcool. Ele negou as agressões no carro, mas admitiu ter desferido um soco na mulher do lado de fora de casa.
Ele também negou as acusações sobre o taco de beisebol e as ameaças com arma de choque. Disse que chegou a pegar gelo para Giullia passar nos ferimentos, mas que ela teria desferido um golpe no rosto do empresário. Ambos foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal, e Ivo foi submetido a exame toxicológico.
Ivo Kos é empresário com atuação na região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Ele é sócio-fundador da Virgo, uma securitizadora que foi alvo de um processo da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no ano passado.
A defesa dele informou que não vai se manifestar neste momento. Os advogados disseram que a decisão ocorre “em respeito a ambas as famílias”.
Em caso de violência, denuncie
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.









