EXCLUSIVO, Por Ricardo Antunes — O ex-deputado Leonardo Dias (PSB) e seu pai, o também ex-deputado Romário Dias, foram alvos da Operação Draft, da Polícia Civil, por suspeita de “rachadinha”. De família tradicional da política pernambucana, Romário Dias teve vários mandatos e atuou como conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE), além de ter sido presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão no Recife, em Olinda e em Jaboatão dos Guararapes, onde foram encontrados dinheiro em moeda estrangeira, totalizando cerca de R$ 110 mil em espécie, duas barras de prata, além de telefones e documentos.
O esquema investigado, segundo a Polícia Civil, teria desviado mais de R$ 6,5 milhões em recursos públicos por meio de um suposto sistema de “rachadinha” dentro de gabinete parlamentar. A prática envolveria a nomeação de assessores — alguns sem atuação efetiva — com a exigência de repasse de parte dos salários.
Há ainda indícios de ocultação dos valores, com uso de contas de terceiros, movimentações fracionadas, cheques e operações simuladas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Segundo o delegado Juliano Ferronato, a investigação foi iniciada em 2023, a partir de provas coletadas em uma operação da Polícia Federal. Ele afirma que o esquema teria configurado um verdadeiro “gabinete do crime”.
As investigações apontam, em tese, crimes como peculato-desvio, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Medidas como buscas domiciliares já foram autorizadas pela Justiça.
O OUTRO LADO
Tentamos contato com os citados, sem sucesso. O espaço permanece aberto para manifestações das defesas.
Confira a nota da PCPE:
A Operação Draft trata da apuração de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no âmbito de gabinete parlamentar estadual. As investigações apontam, em tese, a existência de uma estrutura criminosa organizada para recrutar assessores, inclusive funcionários sem prestação efetiva de serviço, com o objetivo de desviar parte relevante dos vencimentos pagos com recursos públicos, mediante exigência de repasses indevidos, prática comumente conhecida como “rachadinha”.
O material reunido indica ainda indícios de ocultação e dissimulação da origem dos valores, por meio de contas de terceiros, movimentações fracionadas, cheques e operações financeiras simuladas. Segundo a apuração, o prejuízo mínimo já identificado ao erário é de R$ 2.743.901,65, sendo investigados, em tese, os crimes de peculato-desvio, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As medidas cautelares probatórias, entre elas buscas domiciliares, foram autorizadas judicialmente, e as investigações prosseguem para completo esclarecimento dos fatos e responsabilização dos envolvidos na forma da lei.












