Por André Beltrão – Desde que o advogado Virgílio Oliveira passou a comandar a administração de Fernando de Noronha, em maio de 2025, os gastos com eventos artísticos na ilha ultrapassaram a marca de R$ 3,1 milhões, segundo levantamento feito por nosso portal com base em contratos publicados no Diário Oficial.
Os valores chamam atenção pela concentração em poucos meses e pelo alto custo de algumas atrações. Entre os principais cachês estão Xand Avião, com R$ 350 mil, Priscila Senna, com R$ 300 mil, e Márcia Fellipe, também com R$ 350 mil. Há ainda contratações como Forró do Muído (R$ 180 mil) e Aviões do Forró (Vinny), com R$ 200 mil, além de diversos artistas locais e regionais, com cachês entre R$ 20 mil e R$ 150 mil. Pelo menos um artista contratado é candidato a deputado estadual pelo partido, o que, em tese, pode configurar eventual irregularidade eleitoral.
Só nas festividades de Réveillon e início de 2026, a soma chegou a quase R$ 1 milhão.
Já em abril deste ano, um único fim de semana concentrou cerca de R$ 720 mil em shows, incluindo apresentações de Márcia Fellipe, Sheldon e outros artistas.

Os contratos foram firmados por inexigibilidade de licitação — prática comum nesse tipo de evento artístico —, mas que exige justificativa de preço e de escolha, o que pode ser alvo de questionamentos.
A gestão de Virgílio, filho do deputado federal Waldemar Oliveira (Avante) e sobrinho de Sebastião Oliveira (Avante), ocorre em meio a críticas sobre prioridades na ilha, que enfrenta problemas recorrentes em áreas como infraestrutura, abastecimento e serviços públicos.
Recentemente, o partido esteve no epicentro do escândalo das “rachadinhas” na Alepe, investigado pela Operação Draft, da Polícia Civil. Entre os nomes ligados ao esquema está Schebna Machado de Albuquerque, atual diretor administrativo da ilha e ex-secretário executivo do Trabalho na gestão de Geraldo Júlio, apontado como operador e já preso anteriormente em outra operação federal.
Também foram atingidos nomes ligados à Secretaria de Micro e Pequenas Empresas, comandada pelo partido. Entre eles, o ex-deputado Leonardo Dias, que ocupava a Secretaria-Executiva de Micro e Pequena Empresa no governo Raquel Lyra, e Carlos Miguel Tavares Bernardo, o “Tanta”, ex-prefeito de Palmeirina.
As investigações apontam que o grupo teria desviado mais de R$ 6 milhões por meio da retenção ilegal de salários de assessores. Leonardo é filho do ex-presidente da Alepe, Romário Dias, e ambos fecharam apoio ao pai de Virgílio, o deputado federal Waldemar Oliveira, que tentará a reeleição.












