Da Redação – Em uma decisão que mexe diretamente com os cofres e a rotina do legislativo municipal de Camaragibe, a Justiça concedeu uma medida liminar determinando a suspensão imediata do pagamento de todas as diárias de viagem concedidas aos vereadores da Câmara Municipal de Camaragibe. O juiz Felipe Rais da Silva acatou as denúncias de possíveis irregularidades e desperdício de dinheiro público.
Os valores sob investigação chamam a atenção pela magnitude. Um levantamento detalhado anexado ao processo aponta que os gastos com diárias no Legislativo de Camaragibe já somam cerca de R$ 1,6 milhão em despesas. Cada parlamentar do município recebia a quantia de R$ 1.200 por dia de viagem.

Na prática, uma agenda de cinco dias fora do município garantia um acréscimo de R$ 6 mil nos rendimentos dos parlamentares. O montante era pago sem descontos e somava-se ao salário fixo dos vereadores de Camaragibe, que atualmente gira em torno de R$ 18 mil mensais.
A Justiça investiga um forte esquema de desvio de finalidade dessas verbas indenizatórias. Entre as principais irregularidades sob apuração, destacam-se congressos fantasmas (eventos que supostamente nunca aconteceram ou que não contaram com a participação real dos parlamentares), repetição exaustiva de eventos e falta de interesse público (viagens de caráter estritamente pessoal ou político, sem retorno prático para a população).
A decisão tem caráter liminar e busca estancar o dano ao patrimônio público enquanto as investigações avançam. O descumprimento da ordem judicial pode acarretar em multas pesadas e sanções por improbidade administrativa à Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Camaragibe, que até o fechamento desta matéria não havia se pronunciado oficialmente sobre a decisão e o corte dos pagamentos. O espaço segue aberto para manifestação dos citados.








