Por Carlos Madeiro, do UOL – O giro do presidente Lula (PT) ontem e hoje por Maceió e Recife abraçou as campanhas de aliados e juntou milhares de eleitores, mas deixou uma frustração nas campanhas locais dos candidatos coligados ao governo nos dois estados. Para evitar danos eleitorais, Lula preferiu ser protocolar e apenas pedir votos para Renan Filho (MDB), na quinta à noite, e para João Campos (PSB), na sexta.
Os nomes da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, e do candidato ao governo de Alagoas JHC (PSDB) não foram citados por Lula em nenhum momento. Em ambas as visitas, ele também não concedeu entrevistas.
A estratégia era não entrar em bola dividida, especialmente com Raquel, que faz rotineiros elogios a Lula e conta com apoio de integrantes do PT e de alguns membros de movimentos sociais de esquerda. Além disso, os dois candidatos concorrentes aos governos são vistos pelo PT nacional como potenciais aliados, em caso de vitória.
Outro ponto é que os números apontam que nestes dois estados há muitos eleitores lulistas que votam em JHC e em Raquel, e falas de ataques a eles poderia até tirar votos em momento de empate técnico na eleição presidencial.
Segundo a última pesquisa Datafolha, Raquel tem 48% das intenções de voto, contra 44% de João. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Mas, nos bastidores, tanto a campanha de Renan como a de João esperavam alguma fala —mínima que fosse— de crítica direcionada ao rival, especialmente para gerar cortes para as redes sociais.
Lula, porém, fugiu do conflito local. Em Pernambuco, o presidente ainda chegou a criticar um candidato: o ex-governador Mendonça Filho (PL), que disputa o Senado apoiado pelo bolsonarismo. “Ele é do mal”, disse, referindo-se ao candidato sem nomeá-lo, dizendo apenas que foi ex-ministro da Educação (no governo Michel Temer). Em Maceió, Lula também não fez qualquer citação a candidatos.
No caso de Maceió, JHC apoia dois nomes estratégicos para o Senado, ambos com chance de vitória: Arthur Lira (PP) e Marina Candia (PSDB), esposa de JHC. Apesar de estarem em partidos de centro-direita, Lula espera poder contar com eles, em caso de vitória.
A Quaest de ontem apontou JHC numericamente na frente, com 43%, contra 41% de Renan. A margem de erro é de 3 pontos, para mais ou para menos. Já a RealTime Big Data mostrou Renan com 47%, enquanto JHC tem 44%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Ambas têm empate dentro da margem de erro.
Os atos
Em Maceió, Lula reuniu uma multidão na noite de quinta, que lotou a praça Deodoro, no centro da capital, onde pediu voto para Renan Filho ao governo e para Renan Calheiros (MDB) e José Wanderley Neto (MDB) para o Senado.
No Recife, Lula participou de carreata no centro da cidade, terminando com comício em trio elétrico que também lotou o Marco Zero. Lula pediu votos para João Campos e para Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) para o Senado.
No caso do Senado, Raquel Lyra apoia um candidato que vota e faz campanha para Lula: o deputado federal Túlio Gadelha (PSD). Ele levou ao ato de hoje bandeiras com sua foto junto à do presidente.









