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Home Política

Lula pode ser preso até abril de 2017. Ele virou réu pela quinta vez em três operações diferentes

Por Ricardo Antunes
21/09/2019 - 16:03
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A pergunta que o Brasil espera está perto de ser respondida. “Quando Lula será preso? ” , indaga todo mundo. Frio, o juiz Sergio Moro não é dado a rompantes. Está fazendo o dever de casa e obedecendo todo o processo legal. Mas criminalistas consultados pelo blog já vaticinam; Lula deve sofrer sua primeira condenação em meados de março ou abril do próximo ano. É o primeiro passo para sua prisão. Leiam a seguir, no texto do UOL, como o ex-presidente virou réu de novo. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se réu pela quarta vez em processos relacionados à Operação Lava Jato após o juiz federal Sérgio Moro aceitar nesta segunda (19) a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) feita na quinta (15). Ele também é réu na Operação Zelotes (veja abaixo).

O MPF denunciou Lula pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro por contratos firmados entre a Petrobras e a construtora Norberto Odebrecht S/A. O ex-presidente foi apontado como o “responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na administração federal”.

Também viraram réus nesta ação o empresário Marcelo Odebrecht, acusado da prática dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; o ex-ministro Antonio Palocci e seu ex-assessor Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.

Compra de imóveis

Na última segunda-feira (12), a PF (Polícia Federal) indiciou Lula, Marisa, Palocci, Gumão, Kontic, Teixeira e Costamarques com base em dois inquéritos: um sobre a frustrada negociação de compra de um terreno em São Paulo para o Instituto Lula e outro sobre a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo (SP). No despacho desta segunda, Moro decretou o sequestro do imóvel vizinho ao apartamento do Lula, “diante dos indícios de que foi adquirido com proventos do crime”.

A compra do imóvel que seria usado como sede do Instituto Lula foi realizada em nome da DAG Construtora Ltda., empresa de Demerval Gusmão. No entanto, a transação foi feita com recursos originados da Odebrecht. A transação contou com auxílio de Glaucos da Costamarques, parente de José Carlos Bumlai, sob a orientação de Roberto Teixeira –amigo de Lula e advogado do ex-presidente–, que atuou como operador da lavagem de dinheiro, diz a força-tarefa da Lava Jato.

A denúncia aponta que parte das propinas destinadas a Costamarques foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo de Campo (SP). “De fato, R$ 504 mil foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente”. Costamarques, segundo o MPF, teria atuado como testa de ferro, já que o imóvel foi adquirido em seu nome.

A procuradoria aponta que a mulher do ex-presidente, Marisa Letícia, assinou um contrato fictício de locação com Costamarques em fevereiro de 2011. “Mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015”, diz o MPF, que viu a ação como uma tentativa real de dissimular a real propriedade do apartamento.

Executivo da Odebrecht Realizações Imobiliárias, Paulo Ricardo Baqueiro de Melo é citado em decisão de Moro na 35ª fase da Lava Jato, na qual foi preso o ex-ministro Antônio Palocci. Segundo o texto, José Carlos Bumlai apontou Melo, em depoimento à polícia, como um interlocutor “de questões relacionadas à implementação do Instituto Lula, inclusive compra do terreno”.

Segundo a denúncia, R$ 75,4 milhões foram repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Lula, especialmente o PT, o PP e o PMDB, “bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro”. Esse valor é o equivalente a percentuais de 2% a 3% dos oito contratos celebrados entre a Petrobras e a Odebrecht.

Outro lado

O UOL entrou em contato com assessores de imprensa do Instituto Lula e da defesa do ex-presidente e sua mulher; e os escritórios de José Roberto Batochio, advogado de Antônio Palocci e Branislav Kontic, e de Lourival Vieira, defensor de Demerval Gusmão. Até o horário da última atualização deste texto, nenhum deles havia se posicionado sobre a decisão de Moro. Os advogados de Glauco da Costamarques e Paulo Melo não foram encontrados pela reportagem.

Na quinta (15), após a denúncia do MPF, o Instituto Lula publicou nota negando que seja proprietário do terreno em São Paulo. A entidade também disse que o apartamento em São Bernardo não pertence ao ex-presidente. “A denúncia repete maluquices da coletiva do Power Point”, diz o comunicado, em alusão à apresentação em slides feita pelo procurador Deltan Dallagnol quando Lula foi denunciado, em setembro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Também no dia 15, a Odebrecht informou que não se manifesta sobre o tema, mas reafirma seu compromisso de colaborar com a Justiça. “A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseadas na ética, transparência e integridade.”

Entenda as acusações anteriores

Lula já era réu em outros quatro processos, sendo dois deles no âmbito da Operação Lava Jato. No primeiro, o ex-presidente responde por tentativa de obstrução das investigações para evitar a colaboração premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No segundo, é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, supostamente tendo recebido vantagens indevidas na construção e reforma de um tríplex no Guarujá (SP) e no pagamento do armazenamento do acervo pessoal do ex-presidente, ambas custeadas pela construtora OAS, numa soma de R$ 3,8 milhões.

O terceiro processo diz respeito à operação Janus, um desdobramento da Lava Jato. A Justiça aceitou denúncia acusando Lula dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

No quarto, correspondente à Operação Zelotes, Lula é réu pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia do MPF apontou a atuação de Lula para interferir na compra de 36 caças do modelo Gripen pelo governo brasileiro e na prorrogação de incentivos fiscais destinados a montadoras de veículos por meio da Medida Provisória 627. (Com Estadão Conteúdo)

Do UOL, em São Paulo

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Ricardo Antunes

Ricardo Antunes

Ricardo Antunes é jornalista, repórter investigativo e editor do Blog do Ricardo Antunes. Tem pós-graduação em Jornalismo político pela UnB (Universidade de Brasília) e na Georgetown University (EUA). Passou pelos principais jornais e revistas do eixo Recife – São Paulo – Brasília e fez consultoria de comunicação para diversas empresas públicas e privadas.

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