Por Nicolas Vieira – Uma escola estadual na cidade de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, é alvo de denúncias de uma mãe por não oferecer o suporte necessário para a sua filha neurodivergente. Márcia Maria da Silva, de 43 anos, apontou que, desde 2025, sofre dificuldades para fornecer o apoio que Clarissa, de 17 anos, precisa para acompanhar as aulas e atividades da escola.
Clarissa é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, e enfrenta diversas dificuldades no seu dia a dia como estudante do terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Santos Cosme e Damião. Depois do início de uma série de reformas nos banheiros da instituição, as aulas foram suspensas por período indeterminado até que o conteúdo foi retomado de forma remota, o que comprometeu o desempenho da estudante no ano em que se prepara para realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), como tentativa de ingressar no ensino superior.
O início do problema
Quando ingressou na escola, que é referência na cidade, Clarissa cursou o primeiro ano do Ensino Médio sem problemas, com o apoio da rede de ensino e o suporte de Naja, uma instrutora da instituição. Em 2025, porém, uma alteração na gestão interna da escola causou problemas, o que fez com que a aluna perdesse a acompanhante que a auxiliava na execução das tarefas diárias. Mesmo depois de múltiplas reclamações e até mesmo intervenções com o Conselho Tutelar, por parte da mãe da estudante, a situação permaneceu instável.
“Nesse mesmo ano (2025), minha filha ingeriu água sanitária e continuou sem o apoio […], ela via a Naja com outras crianças e ficava arrasada, muito triste” – Márcia Maria, mãe de Clarissa.
Márcia afirmou, durante conversa com o Portal Ricardo Antunes, que questionou a escola sobre a decisão de retirar a ajudante da sua filha, mas manter ela no auxílio de demais colegas que conviviam com Clarissa. A gestão da escola, na época, afirmou que os acompanhantes seriam destinados apenas para estudantes com um nível mais alto de dependência, que necessitasse de apoio para realizar tarefas básicas como alimentação e ir ao banheiro. A diarista afirma, desde essa época, que certos profissionais da instituição falharam em enxergar as limitações da sua filha, mesmo com o laudo psicológico atualizado.
Em novembro do ano passado, uma nova coordenadora na escola conseguiu que sua filha voltasse a ser acompanhada. Infelizmente, depois de um ano sofrido para Márcia e Clarissa, pouco do problema conseguiu ser revertido antes do fim do ano.
O novo prejuízo
Durante o primeiro semestre letivo de 2026, a Escola Estadual Santos Cosme e Damião foi acometida por um novo problema, quando um problema nos banheiros da instituição causou a suspensão das aulas presenciais. Segundo Márcia, sua filha teria ficado cerca de quatro meses fora de sala de aula e a situação foi agravada quando a solução apresentada pela Cosme e Damião foi introduzir aulas remotas para retomar o conteúdo.
Devido ao nível do seu TEA, Clarissa consegue dialogar com outras pessoas e desempenhar funções consideradas básicas, mas possui extrema dificuldade de adaptação, o que impossibilitou seu rendimento durante a modalidade EAD (Ensino à Distância). Márcia apontou que nenhum dos parentes da turma de Clarissa teve o apoio para as aulas remotas, mas que a situação foi ainda mais grave para os alunos divergentes:
“Se eles não estão tendo aula, tendo conteúdo com os professores, retirando dúvidas, recebendo assistência presencial [..], como que fica a situação desses jovens? A turma em si foi bastante afetada, mas os neurodivergentes foram ainda mais afetados”. – Márcia Maria em entrevista ao Portal Ricardo Antunes.
A escola instituiu um rodízio a partir do mês de agosto, onde os estudantes retornariam à modalidade presencial de maneira gradual. Apesar das súplicas de Márcia, afirmando que a situação prejudica o desempenho educacional da sua filha, a instituição ainda não ofereceu uma solução satisfatória para a família. Segundo a mãe, que precisou sair do trabalho para se dedicar a cuidar da filha, a escola deixava nas entrelinhas que Clarissa seria preguiçosa.
Os parentes foram prometidos de que as aulas retornariam ao modelo presencial a partir da última terça-feira (01), sem rodízios entre as turmas, mas o retorno não aconteceu e os pais seguem sem previsão de quando seus filhos poderão voltar a escola. Márcia se preocupa com o impacto que isso pode ter no psicológico da sua filha em ano de vestibular, e lamenta que elas estejam passando por essa situação.
“Hoje eu tô correndo atrás de psicólogo para que minha filha possa ter suporte nessa reta final, para trabalhar as frustrações desse momento”.
O outro lado
A equipe de reportagem do Portal Ricardo Antunes tentou contato via telefone com a Escola Estadual Santos Cosme e Damião, mas não teve sucesso. Estamos abertos a ouvir a declaração da instituição ou da Secretaria de Educação do Governo de Pernambuco.











