Por André Beltrão – Mesmo cercado por denúncias, prisões e decisões judiciais que abalaram sua carreira política, o ex-prefeito de Água Preta, Noé Magalhães (PSB), conseguiu um feito raro: teve todas as contas de governo aprovadas durante os quatro anos em que esteve à frente da Prefeitura. Os pareceres do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), referentes aos exercícios de 2021, 2022, 2023 e 2024, recomendaram aprovação com ressalvas, mas sem rejeição.
Em 2021 e 2022, o TCE reconheceu o cumprimento dos limites constitucionais, apontando apenas falhas no recolhimento de contribuições previdenciárias e extrapolação de gastos com pessoal, problemas considerados mitigados pelo contexto da pandemia e pela baixa materialidade. Em 2023, novamente, as contas receberam parecer favorável com ressalvas. Já em 2024, apesar da identificação de 28 irregularidades — incluindo gastos sem lastro de caixa nos últimos meses do mandato — o Tribunal entendeu que, no conjunto, as falhas não comprometiam a aprovação das contas.
O contraste chama atenção porque Noé Magalhães viveu um mandato turbulento. Preso em setembro de 2023 pela Polícia Federal durante a Operação Dilúvio 2, ele foi investigado por corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e agiotagem. Em maio de 2024, o TSE ainda cassou seu mandato por abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições de 2020, tornando-o inelegível por oito anos.
Mesmo passando por tudo isso ele deu a volta por cima e continua como uma forte liderança na região.













