Por Ricardo Antunes – A pesquisa Datafolha/Rede Tribuna foi péssima para o PSB do ex-prefeito João Campos. Ele caiu cerca de sete pontos percentuais em um mês e viu a governadora Raquel Lyra (PSD) subir nada menos que dez pontos, assumindo a liderança por 48% a 43%.
Faltando pouco mais de quatro meses para a eleição, o “salto alto” vestido pelos socialistas se confirma como um erro crasso. Integrantes da velha guarda do PSB reclamam que o ex-prefeito ouve apenas um pequeno grupo de assessores e tem dificuldade em contemplar lideranças políticas históricas do partido no interior do estado.
Após ser reeleito em 2024 com 78% dos votos no Recife, João estimulou aliados a propagá-lo como “futuro governador” e até mesmo “futuro presidente do Brasil”, num delírio arriscado para quem tem apenas 32 anos.
Passou quase dois anos repetindo o mantra de que tinha mais de 70% nas pesquisas, que apenas apontavam redução da vantagem à medida que o tempo passava e a governadora entrava em campo com entregas praticamente diárias em todas as regiões do estado.
Para piorar a situação, o estado entrará no período da Copa do Mundo e das festas juninas, momentos que historicamente elevam a imagem de gestores em exercício — especialmente em Caruaru, terra da governadora, que se autoproclama como “o maior São João do Mundo”.
Ou seja, a previsão é de muita turbulência para o ex-prefeito, com forte pressão de aliados. Afinal, caso a tendência de crescimento da governadora se mantenha, as configurações dos palanques — em especial o valioso apoio do presidente Lula (PT) — podem passar por realinhamentos estratégicos.
E talvez reste até um arrependimento: por que deixar a Prefeitura do Recife, que neste ano tem orçamento superior a R$ 10 bilhões, por uma disputa que poderia ser enfrentada apenas em 2030?












