Por Ricardo Antunes – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (20), em Petrolina (PE), a Operação Espectro Livre, que cumpriu mandado de busca e apreensão em um imóvel onde funcionava uma estação de rádio ligada ao jornalista, blogueiro e candidato a deputado federal pelo PL, Carlos Britto. A PF não informou quem seria o alvo da operação, mas nós descobrimos e contamos, com exclusividade, para você.
Segundo a PF, a ação investiga a possível transmissão clandestina de sinal de rádio e outras irregularidades relacionadas ao uso do espectro de radiofrequências. Com apoio técnico da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os agentes realizaram inspeções e apreenderam equipamentos de transmissão. A estação foi desativada e as transmissões, interrompidas.
A Polícia Federal informou ainda que o material apreendido será periciado e poderá contribuir para o prosseguimento das investigações e para a identificação dos responsáveis. Os fatos, segundo a corporação, podem caracterizar, em tese, o crime de desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicação, previsto no artigo 183 da Lei nº 9.472/1997.
Foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por funcionamento irregular da rádio, crime punível com pena de um a dois anos de detenção.

Relação com a família Coelho
Carlos Britto construiu, ao longo de mais de duas décadas, uma relação política próxima com a família Coelho, tradicional grupo político de Petrolina. Segundo relato do próprio comunicador, em entrevista divulgada em abril deste ano, a relação com o grupo começou por volta de 2000 e se estendeu por cerca de 26 anos, até o afastamento político ocorrido recentemente.
A proximidade entre Britto e integrantes da família ainda era pública no início de 2026. Em fevereiro, ele apareceu ao lado do ex-prefeito Guilherme Coelho durante o Carnaval de Petrolina, em uma agenda que o próprio Blog Carlos Britto apresentou como sinal de aproximação política e fortalecimento de sua pré-candidatura.
Guilherme, no entanto, não frequenta os almoços organizados pelo clã de seu primo, o ex-prefeito, ex-ministro e ex-senador Fernando Bezerra Coelho, pai do ex-prefeito Miguel Coelho e dos deputados Fernando Filho (federal) e Antônio Coelho (estadual). É essa ala da família Coelho de Petrolina que segue rompida com o radialista.
Em agosto, Britto oficializou sua filiação ao PL e anunciou sua candidatura a deputado federal, marcando sua entrada na disputa eleitoral após mais de três décadas de atuação na comunicação.
A operação desta quinta-feira ocorre, portanto, em um momento de mudança na trajetória política do comunicador, que deixou recentemente a órbita política dos Coelho e passou a disputar diretamente um mandato eletivo.
A PF não informou, até o momento, detalhes sobre eventual responsabilização individual de Carlos Britto. A investigação segue em andamento, e o material apreendido será submetido à análise.
O OUTRO LADO
Conversei por telefone com Carlos Britto, que negou todas as acusações e demonstrou estranheza com a operação. “Em 2023, essa rádio nem era minha”, explicou. Ele afirmou que vai divulgar uma nota dura sobre o episódio.
O jornalista também deixou claro que, na avaliação dele, o fato ocorrido nesta quinta-feira tem relação com seu rompimento com o ex-prefeito Miguel Coelho, a quem acusa de persegui-lo constantemente.











