Do Uol – A nova fase da Operação Sem Desconto deflagrada hoje pela PF (Polícia Federal) tem como alvo três homens que ficaram conhecidos como “Golden Boys” na CPMI do INSS. Os membros do grupo são apontados como operadores do esquema que realizou descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS.
“Golden Boys” foram alvo nova fase da Operação Sem Desconto. Entre os envolvidos nos 31 mandados de busca e apreensão estão Igor Dias Delecrode, da AASAP (Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionistas), Anderson Cordeiro, da Master Prev, e Américo Monte Júnior, da ANDAP (Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas) e da ABCB (Amar Brasil Clube de Benefícios).
Investigados lavavam parte dos recursos com a compra de bens. O núcleo investigado pela CGU (Controladoria-Geral da União) é formado por jovens que enriqueceram rapidamente a partir dos ganhos com os descontos associativos ilegais. A partir dos desvios, eles lavavam os recursos nos cofres de empresas e com a compra de veículos, joias e imóveis de luxo.

Grupo teria arrecadado R$ 700 milhões com as irregularidades. O montante foi apontado no relatório final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e corresponde aos 14,6 milhões de descontos realizados pela organização criminosa das entidades lideradas pelos “Golden Boys”.
Eles foram alvo de outras fases da Operação Sem Desconto. Além da ação de hoje, os “Golden Boys” também estiveram entre os investigados em etapas anteriores da ação. Nas operações, eles tiveram bens de luxo, como veículos esportivos e joias, dinheiro e armas apreendidos pela PF em seus endereços. A frota de 29 veículos confiscada é avaliada em R$ 27,7 milhões.
Envolvidos estiveram presentes na CPMI do INSS no Congresso. Convocado, o presidente da ABCB, Américo Monte Júnior, optou por permanecer em silêncio em dezembro de 2025 e não respondeu às perguntas dos parlamentares sobre o recebimento de cerca de R$ 300 milhões com os descontos. Já Igor Dias Delecrode, empresário e programador, não explicou a atuação da tecnologia da informação no esquema contra os aposentados.
Programa de Delecrode fraudava biometrias e assinaturas. O investigado é mencionado pelo esquema descoberto pela CGU como o desenvolvedor do sistema que proporcionou os descontos ilegais. Ele é citado como o controlador de quatro associações e entidades envolvidas no esquema, que teriam alcançado 117 mil aposentados em um único mês.












