Por Ricardo Antunes – O anúncio da retirada da pré-candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) ao Senado já era esperado. Embora o ex-prefeito de Petrolina mantivesse o discurso de que estaria na disputa a qualquer custo, havia muitas razões para que o projeto não vingasse.
A principal é a Operação Vassalos, da Polícia Federal. A família Coelho é um dos principais alvos da investigação que apura desvios de emendas parlamentares na Prefeitura de Petrolina e da Codevasf, feudos do grupo político hoje liderado por Miguel.
A falta de apoio político também pesou contra. O ex-prefeito é presidente estadual do União Brasil, mas a sigla é federada ao PP, que detém o comando em Pernambuco. Sem contar que Eduardo da Fonte (PP), que preside a federação no estado, conta com 30 prefeitos, dez deputados estaduais e três federais. O grupo político de Miguel resume-se a poucas gestões municipais, um federal e um estadual – e estes são seus irmãos.
Por fim, a postura arrogante de que seria candidato a qualquer jeito criou problemas para a governadora. Sem controle partidário, Miguel ameaçou intervenção nacional e até judicialização, caso não tivesse legenda para disputar o Senado. Tal comportamento expôs demais o governo e os aliados, e acabou criando um clima insustentável.
As acusações de chantagem de cada lado de certa forma vieram com uma estagnação no crescimento da governadora nas pesquisas nas últimas semanas. Com a definição dos nomes e a chegada das convenções, ela espera retomar a subida e que isso reverbere aos candidatos ao Senado. O caminho se abriu para que Túlio Gadelha (PSD) e Eduardo da Fonte consigam encostar nos nomes que lideram – Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT).








